Seja Bem-Vindo!

PÁGINA INICIAL (Home)

Dica: Utilize a pesquisa personalizada do blog para assuntos específicos em relação ao ceratocone.

Este blog tem o compromisso de divulgar informações precisas e atualizadas sobre o ceratocone e as opções de tratamento, cirurgias e especialmente da reabilitação visual com uso de óculos ou lentes de contato.

Pesquisar este blog

domingo, 4 de janeiro de 2009

Estatística sobre o ceratocone no Brasil

Este estudo foi feito com enquetes postadas por membros da Comunidade Ceratocone e Tratamentos no Orkut, com mais de 3700 membros. Como existe uma amostragem significativa para grande parte das pesquisas propostas por alguns de seus membros, é válida a análise e os comentários.

1. Como você trata o ceratocone (Amostragem 233 pacientes)

18% dos pacientes utilizam óculos como forma de tratamento para corrigir a deficiência de visão.

60% dos pacientes usam lentes de contato como forma de corrigir a visão no ceratocone, sendo que:

  • 48% Utilizam lentes rígidas (Rígidas Gás Permeáveis);
  • 10% Utilizam lentes gelatinosas (hidrofílicas);
  • 2% Aproximadamente utilizam o sistema piggyback (lente rígida sobre uma gelatinosa)
  • 6% dos pacientes fizeram implante de anéis intraestromais.
  • 7% dos pacientes submeteram-se ao transplante de córnea.
  • 8% dos pacientes fizeram tratamentos diferentes em épocas distintas ou tratamentos diferentes em um olho e no outro, em relação a lentes e a procedimentos cirúrgicos, com maior incidência de relatos de uso de lentes rígidas e de transplantes.
  • Uma pequena amostragem de casos (menor que 1%) referem terem submetido-se ao tratamento crosslinking (CXL), isso é natural uma vez que o tratamento apenas está começando no Brasil.

Comentários:

A mais natural forma de tratamento para a visão no ceratocone ainda são os óculos e as lentes de contato. Como trata-se de uma córnea com maior irregularidade é necessário que o oftalmologista faça uma refração muito precisa e que as lentes de contato sejam bem adaptadas para que os resultados possam ser benéficos para o paciente. Felizmente o ceratocone não evolui para sempre em todos os casos, apenas 5% aproximadamente irão precisar de transplante de córnea, logo os óculos e as lentes de contato (principalmente as rígidas) ainda serão os mais importantes meios de tratamento da correção visual no ceratocone.

Embora a técnica do crosslinking (CXL) seja promissora, ela não cura mas estabiliza a córnea, em alguns casos reduzindo em parte o astigmatismo irregular, mas ainda assim os óculos ou lentes de contato serão necessários em casos não iniciais. Este procedimento poderá ser utilizado eventualmente em conjunto com implante de anéis e cirurgia refrativa, para tentar obter melhores resultados. A questão é qual será a resposta fisiológica da córnea a tantos procedimentos?

2. Ceratocone bilateral ou unilateral (amostragem 186 pacientes)

10% dos pacientes responderam que tem ceratocone em apenas um dos olhos.

84% responderam que tem ceratocone em ambos os olhos.

6% dos pacientes relataram ter ceratocone em um dos olhos e miopia e ou astigmatismo no outro.

Segundo a pesquisa, em torno de 85% dos casos o ceratocone é bilateral e em cerca de 15% unilateral. Possivelmente dentro destes 15% de casos unilaterais possa haver casos de ceratocone sub-clínico ou frusto (não manifestado).

Comentários:

A correta definição do ceratocone quanto a bilateralidade é que a patologia é geralmente bilateral (cerca de 85% dos casos) e não sempre bilateral.3.

3. Quantos oftalmologistas os pacientes consultaram (amostragem = 204 pacientes)

11% dos pacientes consultaram apenas com um oftalmologista para tratar o ceratocone, logo 89% consultaram dois ou mais médicos a procura de tratamento.

19% dos pacientes consultaram com dois oftalmologistas a procura de tratamento para o ceratocone, e 11% foram em apenas um, logo 70% dos pacientes procuraram três ou mais oftalmologistas.

18% dos pacientes procuraram três oftalmologistas para tratar o ceratocone (11% foram em apenas um, 19% foram em dois oftalmologistas), logo 52% dos pacientes foram em quatro ou mais oftalmologistas.

12% dos pacientes foram a quatro oftalmologistas (11% foram em um, 19% foram em dois, 18% foram em três), logo 40% dos pacientes foram em cinco ou mais oftalmologistas.

14% dos pacientes foram a cinco oftalmologistas (11% foram em um, 19% foram em dois, 18% foram em três, 12% foram em quatro), logo 26% dos pacientes foram a seis ou mais oftalmologistas.

14% dos pacientes foram a seis ou mais oftalmologistas (11% foram em um, 19% foram em dois, 18% foram em três, 12% foram em quatro e outros 14% foram a mais de seis oftalmologistas).

12% dos pacientes foram a mais de 10 médicos ou clínicas em busca de tratamento para o ceratocone.

Comentários:

De maneira geral, cerca de 52%, praticamente a metade dos pacientes que responderam a questão consultaram com quatro ou mais oftalmologistas. Esta estatística, embora naturalmente possa variar de um estado ou região para outra, mostra que mesmo o paciente procurando um excelente oftalmologista, talvez este médico não seja especializado no tratamento do ceratocone, mesmo sendo um excelente profissional em outras áreas da oftalmologia, ele não conseguiu resolver satisfatoriamente o problema do paciente. Uma boa explicação para isso encontra-se no artigo “7 coisas que você deveria saber sobre ceratocone... mas não sabe!”- Luciano Bastos (IOSB - Novembro de 2008).

4. Avaliação da Comunidade Ceratocone e Tratamentos no Orkut (amostragem 175 pacientes)

73% dos membros acham a comunidade excelente, informativa e útil.

17% dos membros acham a comunidade muito boa, mas que pode melhorar.

6% dos membros acham a comunidade boa, mas que tem coisas que podem melhorar.

1% dos membros acha a comunidade mais ou menos (2 votos).

Menos de 0.5%% dos membros acha a comunidade ruim (1 voto).

1% dos membros acha a comunidade péssima e que tem que mudar muitas coisas (2 votos).

Comentários:

Os resultados são auto-explicativos, cerca de 98% dos membros acham a comunidade no mínimo boa, cerca de 90% acham a comunidade muito boa ou excelente. Foi solicitado aos membros que não estivessem plenamente satisfeitos com a comunidade que postassem sugestões, críticas e reclamações que pudesse ajudar a melhorar ainda mais, mas não houve nenhum comentário. Por outro lado, comentários e depoismentos elogiando a comunidade foram abundantes.5.

5. Como você classifica suas lentes RGPs (amostragem = 170 pacientes)

25% dos pacientes responderam que não conseguem usar ou que não se adaptaram as lentes RGPs desistindo das mesmas.

13% dos pacientes responderam que acham suas lentes péssimas mas que tentam usar.

2% dos pacientes responderam que usam mas fazendo uso constante de lubrificantes em forma de lágrimas artificiais.

21% dos pacientes responderam que acham as lentes mais ou menos boas, as vezes elas estão bem e outras vezes não.

4% dos pacientes fazem uso do piggyback (lente gelatinosa embaixo da RGP) para poderem usar.

16% dos pacientes acham suas RGPs muito boas e usam as mesmas sem problemas.

15% dos pacientes acham suas RGPs excelentes e nem sentem que estão usando tal é o conforto proporcionado.

Comentários:

Cerca de 31% dos pacientes referem bons resultados com suas lentes RGPs, isso significa que existem lentes RGPs boas e que existem profissionais fazendo um bom trabalho. Entretanto observamos que em aproximadamente 70% dos casos os pacientes tem, ou tiveram problemas ou absoluta intolerância as lentes RGPs recorrendo a outra alternativa.

A explicação para este fenômeno é que grande parte dos fabricantes não tem a consistência para reproduzir fidedignamente desenhos de lentes que sejam confortáveis, e que a maior parte dos profissionais oftalmologistas, adaptadores de lentes não detém todo o conhecimento necessário para fazer adaptações de lentes RGps com sucesso, observa-se inclusive que muitos utilizam conceitos e técnicas obsoletas e antigas (e que continuam a ser difundidas). Quanto maior o número de lentes que um profissional tem que testar maior é a sua insegurança e dúvida, e se ele não fizer isso estará sujeito a planejar uma lente inadequada da mesma forma.

A constante atualização que muito falta nessa área somada à inconsistência na fabricação de lentes RGPs é que determina estes índices de insatisfação altos. É preciso saber que olhos vermelhos, lacrimejamento excessivo, lentes que deslocam facilmente ou não se movem e que machucam a córnea e as pálpebras não são lentes boas e nem bem adaptadas, mas isso pode ser corrigido se o paciente for em um especialista que domineesta fina arte da adaptação de lentes RGPs.

É inegável que a questão do conforto das lentes RGPs para o ceratocone é um problema no mundo inteiro, na realidade são poucos os profissionais que tem todo o conhecimento e condições técnicas (equipamentos) para fazer adaptações personalizadas destas lentes em suas clínicas. Aqueles pacientes que tem a sorte de encontrar estes profissionais que podem (e sabem como) realizar modificações nas lentes RGPs quando necessário ou que contam com um consultor especializado junto ao fabricante obtém resultados melhores que aqueles que apenas solicitam as lentes de outro fabricante.

É salutar lembrar que as lentes RGPs, de boa qualidade e bem planejadas, são as que oferecem os melhores resultados para o paciente, proporcionando uma boa acuidade visual, conforto e principalmente mantendo a saúde fisiológica da córnea. Junto a isso, o paciente tem que fazer revisões anuais preferencialmente para que seu caso seja devidamente acompanhado.

6. Incidência do ceratocone quanto ao lado mais afetado (amostragem = 313 pacientes)

5,5% dos pacientes têm ceratocone somente no olho direito (unilateral).

7,5% dos pacientes têm ceratocone somente no olho esquerdo (unilateral).

12,5% dos pacientes têm nos dois olhos parecidos.

36,5% dos pacientes têm o ceratocone mais avançado no olho direito.

37,5% dos pacientes têm o ceratocone mais avançado no olho esquerdo.

1,5% dos pacientes não souberam responder.

Comentários:

Os dados obtidos confirmam que o ceratocone é bilateral em aproximadamente 85% dos casos e unilateral em aproximadamente 15% dos casos. Não houve uma significativa diferença estatística de olho direito ou esquerdo na incidência do ceratocone e nem de um lado mais afetado que o outro, o que leva a conclusão de que ambos os olhos podem ser atingidos com maior ou menor intensidade.

Entretanto observa-se que em aproximadamente 74% dos casos de ceratocone bilateral, existe um lado mais avançado que o outro (seja direito ou esquerdo), e que em apenas 12% dos casos o ceratocone é semelhante. Esta informação é interessante, pois demonstra que na maior parte dos casos o ceratocone é maior em um lado que no outro. As razões disso são desconhecidas, mas é um fato incontestável.Outros fatores que podem influenciar um pouco os resultados são pacientes que submeteram-se a intervenções cirúrgicas como implante de segmentos de anel intracorneano, crosslinking (CXL) ou transplante de córnea (TX). Mas estas variações devem ser mínimas devido a grande qualidade e a quantidade da amostragem obtida.

7. O emprego e o ceratocone (amostragem = 219 pacientes)

9% dos pacientes relataram que não tem emprego ou que nem procuram devido ao problema.

2% dos pacientes estão desempregados por causa do ceratocone e são descatrados devido ao problema.

10% dos pacientes relatam já ter perdido um emprego devido ao ceratocone.

3% dos pacientes relatam já ter perdido dois ou mais empregos devido ao ceratocone.

19% dos pacientes estão atualmente empregados mas tem forte preocupação de perder o emprego devido ao ceratocone.

12% dos pacientes relatam já terem conversado com seus superiores e que estão com seu emprego garantido.

4% dos pacientes declararam estar em processo de CLT protegida.

38% dos pacientes não souberam opinar a respeito.

Comentários:

As respostas deste estudo foram com opções de múltipla escolha, mas é evidente que o ceratocone é uma patologia limitadora para o paciente, que dificulta sua vida profissional além de sua vida pessoal. Veja que cerca de 25% dos pacientes têm ou tiveram algum tipo de problema de demissão em razão de sua condição visual.

Cerca de 35% dos pacientes nesta amostragem estão empregados, sendo que destes 4% estão em processo de CLT protegida, 12% conversaram com seus superiores e tem alguma garantia de apoio e de permanência no emprego, enquanto 19% dos pacientes tem absoluta preocupação de perderem seu emprego devido ao ceratocone.

Já os 38% que não souberam opinar a respeito incluem os jovens estudantes que ainda não ingressaram no mercado de trabalho, profissionais liberais, funcionários públicos ou pessoas que trabalham em seus lares ou que tem apoio de familiares, entre outros.

8. Ceratocone e Hereditariedade (amostragem = 283 pacientes)

A pergunta foi se há algum parente com ceratocone e se é ascendente ou descendente.

16% dos pacientes relataram que sim, e são ascendentes.

12% dos pacientes relataram que sim, e são descendentes.

71% dos pacientes relataram que não tem parentes com ceratocone.

Comentários:

As causas do ceratocone continuam sem uma resposta concreta apesar da intensiva investigação clínica e científica realizada em vários países. O ceratocone geralmente é uma condição isolada, embora existam relatos onde estão associadas outras patologias. A Dra. M. Cristina Kenney, MD, PhD apresentou sua teoria na qual uma seqüência de eventos ocorrem que resulta no desenvolvimento do ceratocone. Ela divulgou que aproximadamente dez diferentes cromossomos estão associados com o ceratocone e que é bastante provável que o ceratocone tenha múltiplos genes envolvidos que levam a um padrão final comum, o qual ela nomeou "Padrão de Estresse Oxidativo" (OSP-Oxidative Stress Pathway).

A genética é apontada como a origem do ceratocone, embora nem sempre indivíduos de uma mesma família tenham a patologia, possivelmente alguns familiares simplesmente tenham os genes do ceratocone em sua forma recessiva, e nunca venham a desenvolver a patologia. Leia mais sobre este assunto no link a seguir:

viewtopic.php?f=1&t=188

9. Rinite alérgica associada ao ceratocone (amostragem = 224 pacientes)

Pergunta: Você tem rinite alérgica? Coça muito os olhos?

22% dos pacientes relataram que tem rinite alérgica crônica e que coçam os olhos constantemente.

33% dos pacientes relataram que tem rinite alérgica freqüente e que coçam os olhos durante as crises.

22% dos pacientes relataram que tem rinite alérgica sazonal e que nestas épocas coçam os olhos com maior freqüência.

4% dos pacientes relataram que raramente tem rinite e que quando tem coçam os olhos.

16% dos pacientes relataram que não tem ou nunca tiveram rinite alérgica.

Comentários:

Em meio aos comentários feitos nesta pesquisa, existem relatos de pacientes que dizem não ter rinite mas que coçavam os olhos após ou com o uso de lentes o problema agrava. Nesta questão específica, temos que voltar a questão da qualidade das lentes muitas vezes não muito boa que podem desencadear este sintoma, mas não entrará na análise estatística. Em nossa experiência no IOSB a incidência de coceira nos olhos associada ao uso das lentes Ultracone é muito baixo, menos de 2%.Observe que 77% dos pacientes referem rinite, desde certas épocas do ano aos casos crônicos.

A teoria de que o ato de coçar os olhos tem implicação direta no desenvolvimento do ceratocone não pode ser desprezada. Os pacientes com ceratocone que referem rinite alérgica devem ser tratados de forma sistêmica, com a ajuda do oftalmologista e um alergólogo (ou alergista) ou de um otorrinolaringologista especializado em alergias das vias aéreas.

10. Experiência com Piggyback (gelatinosa embaixo da rígida) – (amostragem = 54 pacientes)

12% dos pacientes relatam usar sem problemas, foi a solução para poderem usar lentes.

20% dos pacientes relatam que não conseguiram usar ou que conseguiram por algum tempo até desenvolverem intolerância as lentes gelatinosas.

9% dos pacientes relataram estarem usando há pouco tempo, considerando cedo para emitir uma opinião.

58% dos pacientes relataram não precisarem recorrer ao piggyback pois estão bem com suas lentes RGPs.

Comentários:

Apesar da amostragem baixa (54 pacientes), considero importante divulgar os resultados e deixar um depoimento pessoal de nossa experiência no assunto. Os resultados não são excelentes, isso é fato. Em alguns casos pode ajudar a pacientes com excessiva sensibilidade (raros casos, na maior parte são problemas nas lentes mesmo), mas a tendência é que surjam as tão conhecidas complicações de uso de lentes hidrofílicas e descartáveis, e mesmo com as de silicone hidrogel.

O que mais temos observado nestas últimas duas décadas é pacientes usuários de lentes gelatinosas que desenvolvem intolerância ao seu uso. No IOSB recebemos muitos desses pacientes para readaptação com lentes RGPs, que não provocam esta alergia das lentes hidrofílicas gelatinosas. Pela nossa experiência, a maior parte dos usuários de lentes gelatinosas, mesmo as descartáveis e até as novas lentes de silicone hidrogel, irão desenvolver em mais ou menos tempo intolerância ao uso de lentes. No piggyback isso não é diferente, o uso de lentes gelatinosas provoca com o tempo hipoxia corneana, a formação de neovasos é uma resposta fisiológica da córnea, que está sendo sacrificada pela privação de oxigênio suficiente para seu equilíbrio.

Outro sintoma presente é a perda de transparência da córnea devido ao edema leve que vai se formando com o tempo. Uma queixa freqüente é a perda de qualidade visual devido a um menor contraste. Na minha opimião, considero que o piggyback é uma técnica válida, principalmente nos casos daquerles profissionais que não contam com boas lentes RGPs e que não contam com assessoria e consultoria especializada do fabricante. É uma técnica cara e complicada para o paciente mas que representa uma solução paliativa que resolve bem o problema do médico não conseguir adaptar lentes rígidas. O problema é que o paciente tem um custo bastante elevado com dois pares de lentes e dois diferentes sistemas de limpeza, assepsia e conservação. Sem falar no tempo que demanda todos estes cuidados.

No IOSB temos um número considerável de pacientes com ceratocone, a clínica é especializada no assunto há mais de 45 anos, e nunca até hoje foi necessário fazer adaptação por este método. Todos nossos pacientes usam lentes RGPs Ultracone ou as RGPs Asféricas Ultralentes sem problemas e lembrando que o IOSB recebe entre 30 a 40 pacientes por semana de lentes de contato rígidas, a maior parte destes pacientes são casos de ceratocone.

A conclusão é de que o piggyback é válido quando não se dispõe de lentes RGPs de maior qualidade e tecnologia, é uma técnica utilizada mundialmente e é mais fácil para o profissional fazer uso deste recurso, repassando o custo para o paciente resolvendo o problema, embora de forma paliativa.

11. Você sabe a marca de suas lentes? (amostragem = 110 pacientes)

12% dos pacientes relataram que suas lentes são Ultracone, da Ultralentes.

14% dos pacientes relataram que suas lentes são da Solótica.

9% dos pacientes relataram que suas lentes são Soper (não sabem qual o fabricante).

5% dos pacientes relataram que suas lentes são híbridas mas não sabem informar que marca.

13% dos pacientes relataram que suas lentes são de outra fabricação, entre elas Rose K, Perfect Keratoconus, Softperm e Dupla-face.

24% dos pacientes relataram que pagam, mas não sabem o que estão levando.

20% dos pacientes não sabiam disso e nunca haviam pensado nisso.

Comentários:

Esta pesquisa não reflete de maneira geral o quadro nacional, as lentes Ultracone por exemplo são muito discutidas porque a comunidade Ceratocone e Tratamentos é uma exceção, é a comunidade mais bem informada sobre ceratocone no Brasil e possivelmente na América Latina.

Mas podemos observar que de maneira geral, mesmo com a proteção das leis do código do consumidor, ainda é muito alta a desinformação sobre quais as lentes o médico trabalha e que está adaptando no paciente. Na era da informação e de pacientes cada vez mais bem informados, é um direito do paciente de saber a lente que ele está usando. A Ultralentes está preparando um certificado de autenticidade de produto para as lentes Ultracone em todas as suas variações e nas demais lentes como a Ultraflat, que poderá ser disponibilizada ao paciente, sem as informações técnicas, apenas o nome do paciente e certificando que ele usa uma RGP Ultracone, por exemplo.

Desde que foi criada a comunidade Ceratocone e Tratamentos no Orkut os portadores de ceratocone tem ao seu dispor uma fonte rica e precisa de informações pertientes a essa patologia, os tratamentos disponíveis, as características, dificuldades e dicas de como superar as adversidades que o ceratocone apresenta para estes pacientes.

12. Qual o seu percentual de visão sem correção? (amostragem = 149 pacientes)

16% dos pacientes relataram ter visão igual ou melhor que 20/40 (80% ou superior aproximadamente).

27% dos pacientes relataram ter visão entre 20/40 e 20/60 (60% de visão aproximadamente).

36% dos pacientes relataram ter visão entre 20/60 e 20/80 (40% de visão aproximadamente).

19% dos pacientes relataram ter visão entre 20/80 e 20/200 ou inferior (Menos de 40% a 10% ou menos aproximadamente)

Comentários:

Embora não seja exatamente precisa a transformação dos valores da tabela de Snellen em valores percentuais, muitos médicos, profissisonais da área de saúde e mesmo pacientes utilizam estes valores percentuais para tentar definir a sua visão, por exemplo sem e com correção óptica (óculos ou lentes de contato). Dentro desta idéia, procuro aqui adaptar as respostas a esta pesquisa (enquete) realizada na comunidade de Ceratocone e Tratamentos do Orkut para que possamos ter uma amostragem do quadro nacional (como se fosse possível) da gravidade da patologia entre seus portadores.

É natural que esta abordagem possa conter vícios e erros uma vez que a amostragem é feita com um grande número de variáveis, seja a idade dos participantes, a região de onde são, se tiveram procedimentos cirúrgicos prévios, entre outras coisas como a simples dificuldade em quantificar a sua deficiência de visão em um valor o mais próximo do correto. Estamos sujeitos a imperfeições e equívocos da subjetividade da questão como um todo. Ao menos, a enquete foi bem formulada ao permitir que as respostas fossem de múltipla escolha, permitindo aos participantes responderem sobre a acuidade visual sem correção no olho direito e no olho esquerdo, isso dá uma maior precisão de certa forma aos resultados. Vamos analisar estes dados:

Cerca de 16% dos olhos destes pacientes tem condições de obter uma visão razoável com óculos, desde que sejam preenchidos certos requisitos (ver comentários a seguir). Geralmente os casos onde o paciente tem ceratocone unilateral ou aqueles que tem ceratocone brando em um dos olhos e mais avançado no outro olho, é observado que o paciente reluta em utilizar meios de correção óptica pois tem uma acuidade visual boa ou razoável em pelo menos um dos olhos. Estes pacientes muitas vezes deixam passar muito tempo até que resolvam ir ao oftalmologista determinados a encontrar uma solução para o problema do olho pior, pois o outro olho resolve parcialmente bem o problema da visão. Estes pacientes podem ter problemas com a visão lateral (definição de imagem no campo de visão do lado do olho pior), podem ter dificuldades na percepção da distância dos objetos e podem desenvolver estrabismo com o passar do tempo devido ao fato de não utilizarem um dos olhos.É comum que estes pacientes tenham uma progressão do caso, e que quando decidem fazer a adaptação de lentes, o olho fica "preguiçoso" e a melhor acuidade visual fica comprometida, mesmo que a córnea seja cristalina, sem opacidades e cicatrizes.

Aproximadamente 82% dos olhos destes pacientes tem uma visão muito ruim (digo olhos porque o outro pode ser melhor) que atrapalha sua vida pessoal, estudantil e profissional caso não utilizem um meio de correção óptico. Seria necessário uma outra enquete (fica a sugestão) de avaliar como o ceratocone afeta a vida destes pacientes. Mas os dados são importantes pois mostram que o ceratocone de alguma forma afeta muito a vida do paciente, e os meios de correção óptica como os óculos (quando possível, ver comentário posterior) e as lentes de contato ajudam de maneira fundamental para que eles possam levar uma vida normal e serem mais atuantes em geral.

Cerca de 55% dos olhos não tem condições de ver nenhuma imagem com perfeição. A partir de 20/60 a visão passa a ser bastante borrada e dificulta até mesmo a distinguir as cores. Os pacientes com ceratocone de grau II e III estão nesta faixa de visão sem correção óptica. Alguns conseguem, desde que feita um exame de refração muito preciso, utilizar óculos e ter uma acuidade visual razoável, mas nem sempre se consegue estes resultados, depende do paciente, do médico, da óptica que irá aviar a receita do oftalmologista e do laboratório óptico que irá produzir as lentes e montar os óculos. Veja como existe um número razoável de passos e os resultados finais dependem de todo este processo. Já os ceratocones mais avançados não se consegue obter resultados satisfatórios.

Cerca de 19% dos olhos dos pacientes desta amostragem não tem a menor condição de ver e compreender uma imagem, somente com o uso de lentes especiais de alta performance para o ceratocone que é possível reestabelecer a visão, ou então submetendo-os a cirurgia de transplante de córnea e aguardando os resultados. Estes pacientes tem ceratocone entre os graus IV e possivelmente grau V como atualmente definimos no IOSB (ver considerações sobre este assunto em outro tópico no fórum Ultralentes, caso se interesse).

Pacientes que tem ceratocone avançado e não procuram tratamento em tempo tem seus problemas dificultados no momento em que decidem fazer a adaptação de lentes por exemplo. É comum encontrar pacientes com estrabismo (início ou já estabelecido) e também a correção óptica pode ficar prejudicada, sendo as vezes possível que com condicionamento e treinamento do cérebro para voltar a interpretar a imagem com correção, volte a responder de acordo e assim o paciente possa obter uma melhora em sua acuidade visual.

Luciano Bastos*

Texto originalmente postado no Fórum Ultralentes (Clique no nome para ir ao fórum)

*Luciano Bastos é diretor da Ultralentes e do IOSB, membro internacional da Contact Lens Manufacturers Association (CLMA), membro do Gas Permeable Lens Institute (GPLI), membro da Contact Lens Society of America (CLSA University), membro da British Contact Lens Association (BCLA), consultor em lentes RGPs para oftalmologistas e é administrador do Fórum Ultralentes de Reabilitação Visual.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

7 coisas que você deveria saber sobre ceratocone... mas não sabe!


O Ceratocone é uma patologia da córnea que freqüentemente debilita a visão e que afeta aproximadamente uma a cada 2000 pessoas. Logo se no Brasil temos atualmente 194 milhões de habitantes há por volta de 97.000 habitantes que possuem ceratocone. Muitos desses pacientes buscam desesperadamente por tratamentos que possam ajudá-lo a retomar sua visão, uma melhor qualidade de vida e a independência que isso proporciona.

Um aspecto importante é que grande parte destes pacientes procuram oftalmologistas que possam tratá-los, mas é freqüente estes pacientes consultarem especialistas que não tem experiência em ceratocone. Isso é muito importante, não importa o quão inteligente, especializado o médico seja, se ele não se vê envolvido freqüentemente com uma atividade ele nunca irá desenvolver a aptidão e a habilidade necessárias para tratar o ceratocone efetivamente e eficientemente, nem mesmo aconselhar o paciente. Por causa disso, muitos pacientes de ceratocone serão acidentalmente levados a uma direção totalmente incorreta.

Dado ao excessivo número de médicos no Brasil e conseqüentemente de oftalmologistas, imagine que um oftalmologista verá aproximadamente três pacientes de ceratocone por ano em média. Isso não possibilita que todos sejam especializados no assunto, portanto é necessário muito cuidado.
Felizmente, o seu caso pode ser diferente. Este artigo trata de sete questões vitais que se não forem bem compreendidas podem levar a problemas significativos, inconvenientes e estresse emocional do paciente e de seus familiares. Quando você compreender e aplicar estes importantes princípios poderá estar mais a vontade com esta patologia frustrante.

1. Ceratocone não causa cegueira

Me impressiona que muitos dos pacientes que nós vemos no IOSB é que eles tem medo de ficarem cegos ou consultaram com um médico que informou que eles terão que fazer transplante de córnea e que esta é a única solução para seu problema. Outros passam por médicos que tentam a adaptação de lentes de contato, mas não tem bons resultados e o paciente não se adapta ou tem uma adaptação muito ruim com queixas freqüentes de desconforto e visão não satisfatória. Como a condição visual destes pacientes tendem a piorar seu medo de perder a visão fica cada vez maior e acreditam que a visão irá piorar a tal ponto de que nada poderá ser feito para recuperar a visão. Alguns destes pacientes já passaram por vários médicos e nenhum deles teve êxito na adaptação de lentes ou óculos e tem muito receio e medo de submeterem-se a cirurgia de transplante de córnea.

Assim alguns vão levando adiante sem tratar, ou com lentes inadequadas ou mal adaptadas, ou usando somente uma lente principalmente se tem o outro olho menos afetado, o que induz a visão preguiçosa e pode provocar eventualmente estrabismo. Estes pacientes praticamente abandonam as tentativas e se esforçam em conviver com a visão razoável de apenas um dos olhos.

A realidade é que ninguém fica cego pelo ceratocone. Existe uma seqüência de alternativas antes que um transplante de córnea seja indicado ao paciente, pela ordem:

a. Óculos
b. Lentes Hidrofílicas (Gelatinosas, Descartáveis, etc)
c. Lentes RGPs ou Rígidas Gás Permeáveis (a melhor opção quando feita com lentes boas e bem adaptadas)
d. Piggyback (lentes rígidas sobre gelatinosas ou descartáveis, geralmente uma técnica utilizada quando não se tem lentes RGPs de alta tecnologia ou experiência para fazê-las personalizadas)
e. Lentes Esclerais ou Semiesclerais RGPs (a Ultralentes fabrica estas lentes desde 2009)
f. Implante de anéis intracorneanos (Ajuda em alguns casos, mas é apenas indicado em casos de estágios não avançados, e não garantem os resultados, pode ser necessário adaptação de lentes RGPs posteriormente e fica mais difícil a adaptação)
g. CXL ou Crosslinking : Uma técnica nova, experimental e promissora, entretanto ainda está em estudos, embora algumas clínicas já ofereçam o procedimento como uma técnica consagrada. Nos EUA ainda não foi autorizada pelo FDA, exceto em alguns centros de oftalmologia e sob rígido protocolo padrão para todos (Protocolo de Dresden).
h. Técnicas combinadas ou seqüenciais: Já existem estudiosos realizando implante de anéis combinado com a aplicação de crosslinking e posterior cirurgia refrativa por fotoablação a laser, variações originadas do Protocolo de Atenas.  O olho é uma estrutura frágil e nobre do corpo humano, submeter uma córnea ainda mais frágil como a do ceratocone e expor a mesma a esta série de procedimentos é muito arriscado.
i. Prescrição de óculos ou adaptação de lentes posterior a implante de anéis intraestromais e crosslinking.
j. Transplante de Córnea (Menos de 2% dos casos no IOSB).
k. Prescrição de óculos ou adaptação de lentes posterior transplante de córnea.

Se o transplante de córnea (Tx) é finalmente indicado, o índice de sucesso é maior que 95%, quando feito por um experiente cirurgião com grande curva de experiência (aprimoramento), entretanto é importante mencionar que óculos ou lentes de contato são normalmente requeridos após a cirurgia, após o prazo de recuperação conforme a técnica utilizada e com resultados geralmente muito bons. É importante que o paciente saiba e entenda que possivelmente será necessária correção visual após o transplante e que a prescrição de óculos ou adaptação de lentes boas e bem adaptadas pode ser fundamental para a melhor visão.

2. Ceratocone não progride para sempre

Tipicamente quando vemos um paciente com ceratocone pela primeira vez, eles foram indicados por um oftalmologista ou encontraram o IOSB pela internet ou foram indicados por outros pacientes do instituto. Eles as vezes são jovens adolescentes e vem acompanhados pelos pais. O ceratocone geralmente inicia lentamente ou agressivamente na puberdade, a porção central da córnea fica mais fina e eventualmente desestabiliza e assume um formato irregular, deteriorando a visão. O paciente tem a impressão inicialmente de que a condição, na medida que avança, irá progredir indefinidamente e para sempre. Quando vemos este tipo de caso de jovens com seus pais, temos uma longa e cuidadosa discussão, com a finalidade de trazer tranqüilidade e amenizar a ansiedade do paciente e familiares.

A boa notícia é que aproximadamente 95% dos pacientes com ceratocone irão iniciar a estabilização do caso a partir dos 25 aproximadamente, alguns mais tarde entre 30 a 40 anos. A partir dos 25 anos os episódios de progressão tornam-se geralmente mais esparsos e menos significativos, especialmente se o paciente estiver bem orientado (não coçar os olhos, usar lubrificantes em forma de lágrimas artificiais, etc) e estiver adaptado com lentes de boa qualidade e corretamente adaptadas. No IOSB menos de 2% dos casos irão precisar do transplante, muitos podem ao menos postergar a cirurgia devido a disponibilidade de lentes feitas personalizadas para casos severos extremos, com as lentes especiais Ultracone Advance e Extreme, as lentes Esclerais SB de diâmetros de 18.5 mm a 21.5 mm e Semiesclerais Asféricas SSB de 16.0 a 18.0 mm.


Entretanto estas estatísticas podem ser piores quando ocorrem os seguintes casos:

2.1) Lentes mal adaptadas são utilizadas, levando a intolerância e a opacificação da córnea.


2.2) O paciente coça regularmente e agressivamente os olhos, e não é orientado a tratar alergia de forma sistêmica e/ou tópica.


Muitos artigos comentam que o ceratocone evolui até os 40 anos do indivíduo, entretanto pacientes bem adaptados com lentes RGPs especiais e bem orientados a não coçar os olhos geralmente tem uma progressão menor do que outros casos. Tratar corretamente as alergias freqüentemente associadas ao ceratocone é muito importante para prevenir o coçar dos olhos. O coçar traumatiza os olhos e provoca remoção das células do epitélio e maior desgaste das fibras de colágeno enfraquecendo a córnea, afinando-a ainda mais e facilitando para que aumente a irregularidade do cone. O ceratocone geralmente começa o seu processo de estabilização em torno dos 25 anos do paciente.

 
 Algumas alternativas para evitar coçar os olhos são:

a) Tratar olho ressecado com lubrificantes artificiais modernos sem conservantes que não possuem a toxicidade cumulativa do demais colírios com conservantes. Acrescentar linhaça (preferencialmente a dourada) na dieta (pode ser cápsulas de óleo de linhaça).
b) Lavar os olhos (pálpebras) com shampoo J&J neutro Ph balanceado com alguma freqüência, utilizando soro fisiológico, e posteriormente enxaguar abundantemente os olhos de maneira que isso remova impurezas acumuladas na lágrima. Lembre que o soro fisiológico depois de aberto dura 24 hs fora da geladeira e 7 dias se armzando na geladeira, não toque no bico do frasco para evitar a contaminação.
c) Alergia ocular pode ser tratada com medicamento tópico, como o Patanol S pingando apenas uma vez ao dia, é importante conversar com seu médico sobre esta questão. O Zaditen e Lastacaft entre outros também são indicados por alguns profissionais.
d) Compressas frias ou geladas amenizam muito a vontade de coçar ou a “coceira” e é uma ótima maneira de aliviar os sintomas rapidamente.
e) Substituir o sistema de limpeza e conservação de lentes de contato caso o produto utilizado cause sintomas alérgicos.
f) Tratar as alergias associadas (asma, alergia dermatológicas, etc.) de forma sistêmica. No IOSB o paciente é orientado a procurar um otorrinolaringologista em caso de rinite alérgica ou alergologista caso existam outras alergias associadas, é fundamental uma orientação nesse sentido. Alguns medicamentos podem interferir na lágrima do paciente, em alguns casos o medicamento para tratamento da acne Roacutan está associado a síndrome do olho seco, ou secura ocular, o que prejudica a saúde ocular dos pacientes, principalmente usuários de lentes de contato.
g) Em alguns casos, o coçar dos olhos está associado ao uso de lentes inadequadas e mal acabadas ou mal adaptadas. A solução nestes casos é suspender o uso destas lentes e fazer uma readaptação com lentes boas e bem adaptadas.


3. O que o paciente pode fazer para amenizar e diminuir o ritmo da progressão do ceratocone?

Em aproximadamente 45 anos de acompanhamento de pacientes com ceratocone, desde o início da especialização do Dr. Saul Bastos nesta área, observamos muitos casos que levaram-nos a acreditar que existem fatores que influenciam de forma maior ou menor na evolução ou não do ceratocone ao longo da vida do paciente. É importante mencionar que este estudo não está respaldado por nenhum estudo prévio, não há evidência ou comprovação científica registrada sobre o assunto. Entretanto, nossa amostragem de mais de dez mil pacientes ao longo destes quarenta e tantos anos permitiu que pudéssemos observar pontos em comum na amostragem obtida.

O uso de Lentes Rígidas (RGPs)


Nestes 45 anos de acompanhamento de pacientes adaptados com lentes duras (desde o tempo das lentes acrílicas até a atualidade tivemos uma significativa amostragem de pacientes os quais foi possível aprender pela experiência. Meu amigo Dr. Renato Ambrósio Jr. o qual tenho enorme apreço pela qualidade científica de seus trabalhos, pela sua competência e pela pessoa generosa que é, me perguntou em duas oportunidades se eu acreditava que o uso de lentes evitava a progressão do ceratocone. Como costumo dizer sobre este assunto, a pergunta é simples e direta, a resposta é de maior complexidade, mas resumidamente a resposta é não. Entretanto pela observação e acompanhamento de aproximadamente 15000 pacientes com ceratocone ao longo de 45 anos podemos observar que em casos onde o paciente usa lente em um dos olhos, bem adaptada e se não usa lenmte no olho contra-lateral a tendência é que a evolução seja maior (quando ocorre e geralmente ocorre) no olho sem lente. E o ceratocone quando tem que progredir ele o fará com ou sem lente ou seja, de fato é que a lente sozinha não tem a função e nem é indicada para esse fim de impedir a progressão mas sim de reabilitar a visão funcional do paciente e permitir que o mesmo tenha uma vida normal, com conforto e especialmente garantindo a saúde fisiológica da córnea. 

Embora seja necessário um estudo com controle para confirmar estas informações e também verificar o porquê de o ceratocone tender a progredir mais sem o uso de lentes temos algumas suspeitas. Uma delas é que o olho com visão não corrigida ou sem uso de lentes é forçado o paciente pode ter uma tendência de coçar mais este olho do que o outro que está usando lentes, essa é uma das possibilidades. A outra, embora mais remota, remete a uma possível força aplicada pela pálpebra superior ao piscar que com a lente e o filme lacrimal formado entre o ápice do ceratocone e a lente possa servir como uma espécie de força contrária sem que exista toque central, de fato o filme lacrimal precisa estar muito bem distribuido [ver padrão de fluorosceína de excelência (devo escrever sobre isso em breve)] de maneira que esta força mecânica seja leve o suficiente para não causar lesão corneana e centralizada o suficiente para que a força seja distribuida de maneira harmônica e o quanto mais uniforme possível sobre a córnea. Importante mencionar que não tenho conhecimento de nenhum estudo publicado sobre estas duas possibilidades, e a resposta para a pergunta se a lente impede a progressão é não, se retarda isso é discutível mas passa impreterivelmente pela necessidade de uma adaptação bem feita e por uma lente RGP (rígida) de alta qualidade e alta tecnologia que possibilitem um excelente desempenho no seu uso.

O estresse

É impressionante como é fácil observar que um paciente teve uma piora no seu quadro, desde pacientes que vinham com ceratocone estabilizado há muitos anos até os pacientes com ceratocone incipiente, que quando depararam-se com uma situação de muito estresse em suas vidas, houve uma progressão significativa do caso, em praticamente todos os casos requerendo uma readaptação de lentes. Uma perda de um ente familiar, separação do cônjuge, doença de um familiar, problemas profissionais, de dinheiro, depressão, etc. são fatores que podem desencadear um processo de piora no quadro, fazendo com que o ceratocone tenha episódio de progressão com tempo determinado e estabiliza novamente.
Alguns pacientes do IOSB, extremamente dependentes do Dr. Saul tiveram este problema com o seu falecimento. Foram necessários poucos meses até eles sentissem a segurança necessária novamente ao saber que eu continuaria o trabalho de meu pai com a nossa equipe de oftalmologistas no IOSB.

Nestes casos, a procura de ajuda de profissionais na área psicológica e psiquiátrica pode ser importante se necessário. Outra forma de combater o estresse é a prática de esportes, caminhadas, yoga, acupuntura, Massoterapia, etc. Existem diversas opções e cada paciente deve procurar aquelas que eles acreditam poderão ajudá-las a superar suas dificuldades e ajudá-las a enfrentar a vida. “Mens Sana In Corpore Sano”

A suspeita é que a uma baixa na imunidade do paciente possa desencadear uma reação oxidativa maior na córnea, e o paciente com a imunidade mais baixa que a normal não produz os anti-oxidantes necessários para combater essa agressão a córnea. Naturalmente muitos estudos estão sendo realizados em diversos países tentando buscar uma resposta que possivelmente não é única. Existem fatores que atuam em conjunto para que o ceratocone se desenvolva.


A alimentação correta e o combate ao sedentarismo

Esta descoberta retrata a influência do tipo de dieta seguida pelos pacientes no seu quadro do ceratocone. Inicialmente observamos que alguns pacientes tiveram episódio de melhora significativa da visão e de uma menor irregularidade corneana. Ficamos atentos ao observar os primeiros casos e procuramos agora dar seguimento a estas observações em outros pacientes.


Inicialmente até mesmo telefonei pessoalmente a alguns dos mestres que foram nossos professores e orientadores (do meu pai e eu) que ainda estão vivos como o Dr. Perry Rosenthal, MD (Harvard Medical School) e Dr. Joseh Barr, OD. Eu comentei com eles que tinha observado uma possível “regressão” do ceratocone de alguns pacientes, embora soubesse que isso não existia. Confirmada minha suspeita, o que pode ter ocorrido é uma alteração do formato do ceratocone, justificando assim a necessidade de troca de lentes RGPs especiais Ultracone para mais planas (cerva de 1.5 a 2.5 dioptrias) para estes pacientes.

Iniciada a investigação, observamos que um dos pacientes teve a alteração por ser estudante de nutrição na época e ter adotado a prática de uma alimentação saudável, de 6 refeições por dia bem equilibradas. Outros dois pacientes tiveram recomendações médicas de seus cardiologistas de que seus exames estavam ruins e tiveram que adotar uma dieta prescrita para eles semelhante a primeira ou seja, equilibrada e de acordo com as necessidades observadas pelos médicos. Outros pacientes adotaram uma dieta mais natural, um deles inclusive eliminando totalmente a carne vermelha da dieta, acrescentando somente carne de aves (sem pele) e peixes (ômega 3). O ideal é ter uma orientação especializada para um balanço e equilíbrio da alimentação. Consulte se possível um nutricionista.


Para alguns pacientes nós recomendamos a leitura do livro A Dieta de South Beach, criada pelo cardiologista americano da Florida Dr. Arthur Agatston, MD. (South Beach, FL) para melhorar a qualidade dos exames sangüíneos de seus pacientes e tratá-los por antecipação para prevenção de doenças cardiológicas. A dieta que inicialmente não tinha o objetivo de emagrecimento mais tarde mostrou que era a primeira mudança visível em seus pacientes, a diminuição da gordura corporal. Esta dieta pode ajudar os pacientes a terem uma melhor qualidade de vida, nós não afirmamos que a simples adoção da dieta irá influenciar de fato no ceratocone, mas com certeza não irá prejudicar, pelo contrário, poderá ajudar em muitos outros fatores da saúde do paciente como na questão de prevenção de doenças cardiológicas, diabetes, entre outras. O fato é que se isso ajudar numa melhora do quadro do ceratocone e conseqüentemente da visão do paciente melhor, do contrário não irá tampouco prejudicar.

Mas é importante mencionar que existe relação entre a alimentação, o estresse e a forma como o paciente administra as questões do corpo e da mente. A expressão em latim “Mens Sana Corporeo Sano” (mente sã, corpo são) me parece muito adequada a esta questão e deveria ser objeto de estudo posterior. Em nossa experiência de mais de 10000 pacientes com ceratocone em 45 anos pudemos observar diversas associações de comportamentos, doenças relacionadas que interferiram no caso de alguns pacientes. É importante estar atento ao histórico médico geral do paciente e se necessário aprofundar-se mais no assunto de maneira a tratar a questão de uma forma mais geral e sistêmica quando necessário.


4. Higiene, limpeza e conservação de lentes RGPs especiais para ceratocone:

O cuidado com a higiene para quem usa lentes de contato é fundamental para a segurança da saúde ocular do paciente. Alguns pacientes podem ter alergia a determinado produto de limpeza e conservação de suas lentes RGPs sendo necessária a alteração do produto por outro diferente e recomendado pelo oftalmologista até que encontre a alternativa que seja mais adequada e segura para o paciente. Muitos destes produtos contém conservantes que por sua vez tem um certo grau de toxicidade. Estes conservantes estão ali para matar os microorganismos que podem contaminar as lentes e levar a uma infecção ocular. Entretanto as vezes estes conservantes podem também agir de forma agressiva as células do epitélio da córnea, ocasionando uma alergia ao produto. Se isso ocorrer, suspenda imediatamente o uso deste produto e peça orientação ao seu oftalmologista.


Um guia para manuseio, limpeza e conservação de suas lentes RGPs:
  • Para retirar as lentes após o uso:

    1. Lave bem as mãos e seque-as antes de manipular suas RGPs.
    2. Retire primeiro a lente do olho direito.
    3. Coloque a lente sobre a palma de uma das mãos com a face convexa virada para baixo, de forma que a lente se acomode na concavidade da mão.
    4. Com o dedo indicador ou o mínimo, retire cuidadosamente o excesso de lágrima que restou na lente após a retirada. Usando mínima pressão, faça movimentos circulares de forma que você retire a lágrima que ficou na lente.
    5. Lave sua lente com shampoo J&J ou um detergente líquido gel neutro (poucas gotas são suficientes) e enxague com água filtrada ou solução salina.
    6. Remova a água da lente sacudindo-a no ar ou soprando a mesma.
    7. Utilize o produto de limpeza indicado pelo seu oftalmologista fazendo com que toda a superfície da lente esteja coberta.
    8. Repita a operação com a lente do olho esquerdo.
  • Para inserir as suas lentes RGPs:

    1. Lave bem as mãos e seque-as, retire a primeira lente do estojinho e examine toda a extensão da lente e borda para verificar se não há nenhum corpo estranho ou dano na lente.
    2. Remova o produto das lentes esfregando a lente com o dedo indicador ou mínimo na superfície interna (côncava) da lente e com a superfície externa (convexa) na palma da outra mão.
    3. Se quiser utilize soro fisiológico para enxaguar as lentes antes de inserí-las, mas lembre que o soro depois de aberto dura 24 horas fora da geladeira e 7 dias se armazenado dentro da geladeira. Evite encostar no bico do soro fisiológico.
    4. Coloque o produto de sua preferência na lente, recomendado por seu médico, e insira a primeira lente.
    5. Repita a operação com a outra lente.
5. Produtos recomendados para lentes RGPs para ceratocone:
Dentre os produtos disponíveis no mercado brasileiro para a limpeza de lentes de contato RGPs, destacam-se aqueles mais conhecidos e que tem fabricantes com sistemas homologados pela Agência Nacional de Saúde (ANVISA), os mais conhecidos são:


- Boston Simplus: maior viscosidade, solução multição, indicado para lavar, enxaguar e inserir as lentes RGPs


- Unique Ph: Solução multiuso, solução aquosa, bom para lavar, enxaguar e inserir as lentes.


- Opti Free Replenish: Ideal para lavar as lentes, acondicionar e inserir as lentes RGPs (embora seja indicado para lentes de silicone hidrogel, este produto pode ser utilizado para lentes RGPs.




6. O especialista tem que saber polir as lentes RGPs para pequenos ajustes:

A adaptação de lentes de contato rígidas requer uma avaliação ao vivo do paciente para saber se são necessárias pequenas modificações na lente de forma a proporcionar melhor conforto e melhor relação lente/córnea, assegurando o equilíbrio fisiológico corneano e sua proteção contra qualquer possibilidade de lesão. São poucos os profissionais que examinam um padrão de lágrima no biomicroscópio e com isso compreender se modificações se fazem necessárias. Também é necessário polimento quando as lentes apresentam algum risco ou depósito muco-proteico que não sai na limpeza diária comum, com o polimento as lentes podem ser revigoradas e durar mais um bom tempo confortáveis, seguras e assegurar uma boa visão.


Se o médico observar que é necessário modificação da lente, ele poderá fazer ele mesmo se possuir o conhecimento e o treinamento para isso, ou então deverá contar com um laboratório experiente que faça as modificações para ele. Geralmente essa segunda opção é um tanto falha, uma vez que a informação entre o médico o e o técnico no laboratório podem não funcionar devido a falha de comunicação, falta de conhecimento de ambos um na área do outro e principalmente por não ser um serviço personalizado.


Esta é a razão que desenvolvi o conceito da Consultoria Digital Especializada, onde os oftalmologistas credenciados na Ultralentes produzem fotos digitais e filmes do padrão de fluorosceína, enviam ao nosso laboratório para que sejam feitas as alterações necessárias de maneira que possamos fazer lentes absolutamente personalizadas aos pacientes. Isso é especialmente importante nos pacientes com ceratocone, pois frequentemente esses pacientes precisam que suas lentes sejam ajustadas, principalmente quando são lentes que não tem uma boa qualidade.


As lentes Ultracone dificilmente necessitam de ajustes tal é o alto grau de qualidade e tecnologia envolvidas, e então se casos difíceis se apresenta, o oftalmologista credenciado faz uso da consultoria digital, fotografando e/ou filmando os testes para repassar ao laboratório Ultralentes.


Quando uma lente fica muito riscada ou com fortes depósitos de proteína da lágrima, é necessária sua substituição. Não é recomendado insistir com lentes muito velhas pois os riscos de problemas aumentam, além da qualidade e acuidade visual que diminuem substancialmente e progressivamente. Lentes bem cuidadas podem durar até 3 ou mais anos, mas é de fundamental importância que o paciente visite o oftalmologista ou vá na clínica para avaliação de lentes a cada 12 meses no mínimo, isso se estiver tudo bem.


O polimento das lentes é uma atividade especializada, se não for feita por um técnico altamente qualificado as chances são de que as lentes fiquem ainda piores do que estavam, por essa razão é necessário ter certeza de que suas lentes são feitas por quem sabe realizar estas modificações com maestria.


7. Tenha lentes especiais de reserva atualizadas:

Pacientes com ceratocone e que não estão passando por episódios de progressão devem ter lentes reservas para o caso de perda ou quebra acidental de uma das lentes. Os laboratórios podem levar dias, até mesmo semanas para que uma nova lente possa chegar ao oftalmologista e posteriormente ao paciente, e ficar sem lente durante esse período é desgastante para o portador de ceratocone que fica com a visão debilitada, além de perder um pouco a adaptação nesse olho conforme a demora.

É importante que o paciente se desfaça de suas lentes antigas, jogando-as fora ou devolvendo ao médico para que sejam eliminadas, isso serve para a proteção do paciente, pois o uso de lentes antigas podem causar erosão de córnea, ceratites e até mesmo úlceras de córnea com o uso insistente.

Luciano Bastos*
Fonte: Originalmente publicado em http://www.iosb.com.br/ - www.ultralentes.com.br/forum
Atualizado em 27/09/2012

*Luciano Bastos é diretor do Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos, técnico especializado em lentes de contato pela Contact Lens Association of Ophthalmologists (CLAO), membro internacional da British Contact Lens Association (BCLA - UK), membro da Contact Lens Society of America (CLSA University - USA), membro internacional do Gas Permeable Lens Institute (GPLI - USA), membro internacional da Contact Lens manufacturer Association (CLMA - USA), membro da Scleral Lens Education Society (SCL - USA), diretor da Ultralentes I.O.L., consultor especializado em pesquisa clínica e científica de desenhos especiais de lentes RGPs para córneas irregulares e colabora com artigos sobre lentes de contato para as revistas especializadas Contact Lens Spectrum Magazine (USA), The Contact Report (USA) e Global Contact (Europe).

terça-feira, 19 de agosto de 2008

PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DO CERATOCONE

Os meios de comunicação tem noticiado com alguma freqüência sobre tratamentos gratuitos para o ceratocone em alguns hospitais. Naturalmente a notícia é um alento para aqueles que estão procurando alternativas de tratamento com menor custo ou gratuito. Os pacientes se inscrevem e são selecionados de acordo com critérios estabelecidos pela equipe de oftalmologistas, e se estiverem dentro do critério entram na fila para serem examinados, no que é chamado de pré-seleção. Depois de verificada a indicação para determinado tratamento, o paciente aguardá até ser chamado e inicia-se o tratamento.

Uma coisa que precisamos estar atentos quando falamos em tratamentos alternativos é que não são tratamentos simples, são estudos científicos e clínicos geralmente experimentais nos quais o paciente tem que assinar um termo de consentimento informado no qual ele atesta que está se submetendo a um tratamento experimental e que reconhece os possíveis resultados e efeitos colaterais conhecidos que podem ocorrer. O tratamento do Crosslinking (CXL), mais conhecido como Crosslink apenas, é um destes tratamentos. Maiores informações sobre este tratamento você pode encontrar aqui no Blog em publicação de outro dia e mês.

É importante que os pacientes que submetem-se ou que pretendem apresentar-se a estes serviços, saibam que é um tratamento experimental. Embora seja promissor, ainda está em estudos em vários países. Nos EUA por exemplo, o Crosslink é um tratamento absolutamente experimental, não é pago e somente clínicas e serviços de oftalmologia específicos
estão habilitados a aplicar o tratamento, sob rígida vigilância e protocolo de segurança do FDA (Food & Drug Administration). Também é importante mencionar que os primeiros casos tratados no mundo foram realizados há aproximadamente 8 anos, o mais antigo tem 10 anos de acompanhamento, mas estes são poucos casos apresentando uma amostragem muito pequena, logo os especialistas e autoridades não podem considerar estes casos, mas sim aguardar os mais recentes, em bem maior número, e por alguns anos até que possa-se conhecer como irá evloluir o quadro e assim apresentar trabalhos bem fundamentados, com números ricos e que componham uma amostragem significativa. Somente desta maneira é que um estudo sério pode ser feito e os orgãos oficiais de saúde autorizarem e os conselhos de medicina reconhecerem um tratamento como válido e seguro.

Temo que a busca desenfreada de alternativas a lentes de contato que o paciente não se adapta e aos tratamentos cirúrgicos como implante de anéis intracorneanos e o transplante de córnea possa levar alguns pacientes a procurarem especialistas que ofereçam este tratamento em clínica privada, onde seguramente o tratamento não deve ser gratuito. É importante saber se a clínica faz parte de algum estudo experimental que esteja aplicando a técnica com a finalidade de pesquisa e experiência, pois assim sendo, o paciente pode optar entre submeter-se ou não ao tratamento, ele será devidamente informado dos possíveis resultados e prognósticos.

Em alguns países, o tratamento conjunto de implante de anel intraestromal e a aplicação posterior do crosslinking já vem sendo feita a poucos anos, e embora os websites destas clínicas e estudos mostrem somente bons resultados, existe também resultados adversos, e é importante que isso seja esclarecido. Na internet é possível encontrar relatos de pequenas complicações. Uma outra questão que deve ser vista com grande cautela, é o tratamento múltiplo, de implante de anel, crosslink e posterior cirurgia refrativa por ser muito agressivo para a córnea. O implante de segmentos de anéis, embora minimamente invasivo, produz os dutos na córnea para receber as pequenas próteses em forma de meia-lua. O crosslink raspa o epitélio da córnea ou aplica álcool diluido para remover a camada mais fina do epitélio da córnea, preparando a córnea para receber a Riboflavina que se ligará ao colágeno de córnea com a exposição da córnea a raio ultravioleta A, de forma absolutamente controlada, com tempo de aplicação, distância precisa e intensidade do raio controladas. Variações nestas variáveis podem levar a resultados diferentes ou a intercorrências imprevistas, como haze corneano. Imagine então esta córnea agora será submetida a fotoablação por excimer laser, já existem relatos dessa terceira técnica sendo utilizada em alguns casos, possivelmente o PRK (Photo Refractive keratotomy) que é aplicada diretamente na córnea, pois o tratamento de cirurgia refrativa mais popular existente é o Lasik (Laser Assisted In Situ Keratomileusis) e já se sabe que esta técnica provoca o enfraquecimento da resistência biomecânica da córnea, pelo fato de que quando o microcerátomo (pequeno intrumento de alta precisão que produz um flap na córnea) é aplicado, ocorrem cortes de fibras importantes na córnea, que provocam o enfraquecimento corneano. Naturalmente existem técnicas mais sofisticadas como o EpiLasik, entre outras, que produzem flaps mais rentes ao epitélio corneano, evitando parte da perda desta resistência biomecânica.

As cirurgias refrativas são contraindicadas no ceratocone, em alguns casos de pacientes com indicação cirúrgica para a cirurgia refrativa ocorrem seqüelas como ectasia induzida pós-cirúrgica, também conhecida como ceratoectasia (keratectasia) pós-cirurgia refrativa. Deve haver extrema cautela dos profissionais e pacientes para o advento destes tratamentos múltiplos e sequenciais. As autoridades e orgãos profissionais como o CFM e o CBO devem atuar juntos com a finalidade de criar protocolos de segurança para a aplicação destes novos métodos de tratamento. O exemplo dos EUA é um caminho saudável a seguir.

Obs. Informações sobre os assuntos tratados no texto acima estão disponíveis na internet, cabe apenas procurar por eles para confirmar que são procedentes e que poderão ser ratificadas por especialistas.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

ENQUETE: RESULTADOS DO IMPLANTE DE ANEL NO CERATOCONE

Olá a todos,

O Fórum Ultralentes, de REABILITAÇÃO VISUAL, está com uma enquete sobre os resultados obtidos no procedimento de implante de anéis intraestromais como tratamento do ceratocone. A enquete tem a finalidade de criar reunir uma amostragem que possa fornecer condições de se fazer um estudo estatístico dos resultados. Basta clicar no link abaixo para visitar o fórum.


LINK > ENQUETE SOBRE RESULTADOS DO IMPLANTE DE ANEL NO CERATOCONE


Para poder votar nesta enquete, você terá que registrar-se no fórum e assim poderá visitar o tópico-enquete e votar. O fórum é aberto a todos, tem uma boa quantidade de informaçãoes que são disponibilizadas e atualizadas com freqüência sobre o ceratocone e tratamentos, entre outros assuntos pertinentes a reabilitação visual.

De tempos em tempos você poderá visitar o fórum e ver os resultados da enquete na medida em as pessoas forem votando. Divulgue a enquete e colabore para a melhoria da qualidade das informações e do estudo em torno disso. O Fórum Ultralentes é aberto, moderado, seguro e livre de spam.

Ajude a divulgar a enquete!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Comunidade Ceratocone e Tratamentos do Orkut - Aniversário em 19 de Julho - 4 anos

O tempo voa, neste Sábado 19 de Julho a comunidade Ceratocone e Tratamentos do Orkut irá completar 4 anos de existência. A comunidade foi criada para ser um ponto de referência e informação sobre ceratocone na internet, para os membros do Orkut que crescia em alto rítmo pelo Brasil afora. Em menos de uma semana já havia cerca de 30 membros registrados, em um mês eram quase 100, em três meses eram quase 400 membros. Hoje a comunidade está com mais de três mil e quatrocentos membros e o cadastro de novos membros continua crescendo a cada dia.

Embora hoje se saiba que o ceratocone se manifesta em uma em cada 1500 - 2000 pessoas, é impressionante o número de portadores de ceratocone que registram-se na comunidade, sendo que alguns tem entrado justamente por causa desde BLOG, que é o Portal da Comunidade fora do Orkut.

O crescimento quase exponencial do número de indivíduos com ceratocone tem explicações. Há anos atrás, o diagnóstico do ceratocone era mais difícil quando em fase inicial, não existiam os equipamentos sofisticados como os topógrafos computadorizados de hoje, que além do mapeamento de milhares de pontos da córnea também oferecem (os mais sofisticados) mapas de elevação posterior da córnea (porção de dentro da córnea), paquimetrias precisas (espessura da córnea) em vários pontos, gráficos em 3 dimensões, mapas comparativos, etc. Com estas tecnologias tornou-se mais fácil identificar os casos de ceratocone mais precoces que anterioemente eram tratados apenas como astigmatismo corneano, embora em muitos casos ainda existam dúvidas sobre o diagnóstico correto, tanto é que muitos diagnósticos são redigidos com a expressão SUSPEITA DE CERATOCONE ou possível ceratocone.

Outro fator que contribui ainda mais para o maior número de casos de ceratocone ocorre devido a popularização da cirurgia refrativa por fotoablação pelo excimer laser, tanto pela técnica de PRK [Photo Refractive keratotomy] como pelo LASIK [laser Assisted In Situ Keratomileusis], pois começaram a surgir cada vez mais casos registrados de ceratoectasia induzida pela cirurgia, o que causa um ceratocone "adquirido" no paciente. De fato devido a popularização da cirurgia, é provável que muitos casos ainda ocorram. Mas com os exames topográficos mais sofisticados como os citados acima, muitos pacientes são contraindicados devido a presença ou pela suspeita de ceratocone, logo é natural e perfeitamente compreensível que sejam diagnosticados a cada dia mais pacientes que tem ou tem alguma probabilidade de desenvolver a patologia.

Esta explicação é razoável o suficiente para justificar porque esta comunidade é hoje possivelmente o mais bem informado e organizado grupo de discussões sobre ceratocone do Brasil. Mas também há um fator que preponderante que ratifica a credibilidade da comunidade e de suas discussões. É a alta confiabilidade das informações, todas elas fundamentadas em pesquisa e na literatura médica brasileira e internacional, com fontes de alta credibilidade e extremamente confiáveis. Assim como muitos médicos já comentaram, informações obtidas na internet devem ser vistas com cautela, também sabemos disso, e por esta razão que tudo é religiosamente conferido e checado, qualquer informação incorreta, incompleta ou deturpada, é imediatamente corrigida. Muitas vezes os próprios membros contribuem com informação, e há uma legião de moderadores e colaboradores que está sempre alerta e que checa qualquer nova informação postada no fórum da comunidade.
Existem alguns oftalmologistas que eventualmente participam das discussões, são sempre bem-vindos, e acredito que mesmo alguns possam aprender algumas coisas ali, pois a comunidade é hoje um grande concentrador de informações confiáveis. Sempre que se fala em ceratocone, o enfoque é totalmente dirigido a orientar a pessoa, se ela relata um aspecto importante, imediatamente é orientada a procurar o oftalmologista. A comunidade age em conformidade com e a favor da oftalmologia e não procura em momento algum substituí-la, muito pelo contrário. Acreditamos que a informação precisa e a amostragem de dados expressa na comunidade é um caminho extremamente saudável para que as pessoas possam procurar os melhores tratamentos e alternativas com o oftalmologista.

A comunidade Ceratocone e Tratamentos também tem a colaboração do Fórum de Reabilitação Visual, o Fórum Ultralentes! que está aberto ao público fora do Orkut e que oferece a oportunidade de acesso a informações, pedidos de ajuda, estudos, troca de idéias e além disso fotografias, filmes do You Tube. É uma ótima idéia participar também do Fórum Ultralentes.

Meus agradecimentos a todos os membros da Comunidade Ceratocone e Tratamentos do Orkut, sem vocês essa comunidade não teria o mesmo refinamento. Ao pessoal da Ultralentes e do IOSB que tanto tem contribuido com informações e ajuda quando necessário, é bom poder contar com amigos em todas as horas. Esperamos todos que esta comunidade possa ajudar a muitas pessoas nos anos que vem pela frente. Ela está a dispor de quem precisar, é só entrar e solicitar o registro e aguardar a liberação.

Um feliz aniversário para a comunidade neste dia 19 de Julho de 2008.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adaptação de Lentes RGPs Pós-Implante de Anel

O Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos desenvolveu juntamente com o laboratório Ultralentes uma lente especial para a adaptação de pacientes submetidos a cirurgia de implante de anéis intraestromais ou intracorneanos. A lente Ultracone PCR vem sendo desenvolvida desde 2005 com muita pesquisa clínica e científica para que seja possível uma melhor adaptação de lentes em casos de ceratocone onde o paciente foi submetido ao implante de segmentos de anéis intracorneanos.

No início, criou-se muita expectativa em torno deste procedimento de implante de segmentos de anéis, entretanto a história tem mostrado que os resultados variam de paciente para paciente e que somente os casos mais iniciais do ceratocone produzem resultados mais estáveis, e mesmo assim para a melhor correção e qualidade visual, é necessária a adaptação de lentes de contato. Também acreditava-se no início que o fato de o paciente estar com a córnea possivelmente mais plana, devido ao mecanismo de força desempenhado pelos arcos dos segmentos, que a adaptação de lentes seria facilitada. Hoje sabe-se que em grande parte dos casos, uma das extremidades de um dos segmentos geralmente fica elevada, dificultando na verdade a adaptação de lentes mesmo especiais para ceratocone. É freqüente depara-se com erosão de córnea e ceratite nestas áreas, gerando desconforto e risco para o paciente nestes casos. A lente Ultracone PCR vem justamente preencher esta lacuna que foi criada devido a essa dificuldade, com uma lente que envolve a região sem a presença de toque, oferecendo boa centralização e sem a presença de microbolhas.

Pacientes que tiveram extrusão primária e secundária de um primeiro e as vezes segundo procedimento de implante, e que ficaram com apenas um dos segmentos do anel na córnea são beneficiados dessa tecnologia única e pioneira da lente Ultracone, concebida por Luciano Bastos e desenvolvida pela equipe do IOSB e da Ultralentes. A necessidade de encontrar uma solução para estes casos surgiu quando alguns pacientes que foram submetidos ao implante de anéis começaram a aparecer no Instituto de Olhos Dr. saul Bastos, alguns indicados por colegas, outros procurando o Instituto por ser referência nacional e internacional na adaptação de lentes especiais em casos complexos. Desde então, iniciou-se um estudo longitudinal controlado e com intervenção, de maneira a reproduzir a melhor resposta fisiológica da adaptação em uma córnea que possui características topográficas totalmente diferentes daquela do ceratocone ou de uma córnea regular. O estudo teve cerca de 2 anos de duração e possibilitou uma amostragem significativa de casos que culminou no desenvolvimento das lentes Ultracone PCR e PCR 2, variantes da lente Ultracone (tipo Soper modificada) original.

A lente Ultracone PCR além de funcionar muito bem em casos de ceratocone com implante de aneis, também proporciona excelentes resultados em casos de Ceratoglobo, Degeneração Marginal Pelúcida e em ceratocones mais deslocados do eixo visual. Alguns oftalmologistas no Brasil, em centros de referência estão utilizando já as lentes Ultracone PCR e encomendando para seus pacientes. Recentemente a Dra. Cleusa Coral Ghanem apresentou dois trabalhos no Congresso da APO e da SOBLEC em Curitiba, sendo uma das palestras sobre a adaptação de lentes Ultracone no ceratocone e da lente Ultracone PCR nos casos de pós-implante de anéis intraestromais.

Fonte: Fórum de Reabilitação Visual Ultralentes

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ceratocone e Crosslink e Cirurgia Refrativa

O tratamento "Corneal Collagen Crosslink with Riboflavine" ou crosslinking (CXL) como é conhecido internacionalmente, ou simplesmente "Crosslink" aqui no Brasil, sem dúvida é uma técnica promissora. Os estudos iniciais mostram que a utilização da técnica aumenta a resistência bio-mecânica da córnea, interrompendo a evolução do ceratocone, sendo que em alguns casos há necessidade de re-tratamentos em aproximadamente 3 a 4 anos. O uso da técnica do CXL em conjunto com o implante de anéis intracorneanos também é promissor, não cura o ceratocone, mas permite um aplanamento da córnea e diminuição das irregularidades da córnea e com a adição do "crosslink" e em casos iniciais é possível se obter uma visão satisafatória, sem ou com correção de óculos. Em outros casos, ainda existe a necessidade de se adaptar lentes de contato, preferencialmente as rígidas gás permeáveis (RGPs) que proporcionam melhor acuidade visual e melhor resposta fisiológica da córnea.

O CXL não é uma técnica simples, mas sim menos invasiva

O CXL não é tão simples como as pessoas pensam. Existem variáveis importantes, desde a calibragem do raio ultravioleta, a profundidade de raspagem do epitélio, o método de raspagem, a quantidade de riboflavina, o tempo de exposição ao raio ultravioleta, a distância segura a ser aplicado, a resposta fisiológica da córnea, a paquimetria (espessura da córnea), a microscopia especular, etc. O procedimento é absolutamente experimental, e as pessoas candidatas a esta técnica estão submentendo-se a experiências e estudos que levarão a um aperfeiçoamento da técnica. No Brasil, estudos feitos na Unifesp, no Instituto da Visão , na UFRJ e no Hospital Oftalmológico de Sorocaba com essa técnica iniciaram recentemente. Há ainda a necessidade de mais tempo para que possam ser completados estudos que trarão novas informações e aprendizado a oftalmologia brasileira assim como os pioneiros que iniciaram estes estudos há cerca de 3 ou mais anos. Estudos ainda são recentes, logo a amostragem de pacientes para avaliação a longo prazo ainda é muito baixa, embora os estudos sejam sem dúvida promissores.

O que nos reserva o futuro no tratamento do ceratocone?

Vejo com bastante reserva a idéia de que em breve oftalmologistas no Brasil e no exterior resolvam fazer as primeiras experiências com a combinação de técnicas de tratamento, por exemplo: implante de anéis intraestromais (intracorneanos), Crosslink e depois PRK (ou Lasik?). Quando mencionei que vejo com reserva essa possível situação, digo apenas por cautela, pois é importante lembrar que a córnea é uma estrutura frágil e que submetê-la a três procedimentos cirúrgicos, mesmo que de diferentes "níveis de invasão", é no mínimo temeroso e discutível, devido ao maior risco que isso pode oferecer ao paciente. Já existe o uso de técnicas combinadas, como mostrarei a seguir, a primeira o CXL com implante de anéis, que vem sendo testado e experimentado já há alguns anos, e o CXL com PRK (Photorefractive Keratotomy por excimer laser). A combinação das três técnicas possivelmente já está sendo utilizada, mas os resultados e dados científicos não existem.

O que a comunidade científica deve honrar e lutar sempre é que os profissionais apresentem não somente os resultados bons, mas também que apresentem os maus resultados ou complicações, desta forma poderá-se evoluir e até mesmo prevenir futuros casos candidatos ao insucesso. É comum alguns médicos apresentarem em congressos seus trabalhos de sucesso, deixando algumas vezes os problemas "engavetados", até mesmo porque ninguém gosta de admitir um mau resultado, e isso é comum, embora não seja o caminho mais saudável a tomar.

A seguir, vídeo falando do CXL com implante de anéis:

http://www.youtube.com/watch?v=lwkyCxCNrGc

E outro falando sobre o CXL e o PRK:

http://www.youtube.com/watch?v=WM6VgkjcHpQ
Na medida em que relatos e estudos estiverem disponíveis, estes serão postados aqui no Blog Ceratocone e Tratamentos. Para maiores informações e conectividade, acesse também o Fórum Ultralentes!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Tratamentos para Ceratocone

Ceratocone e Diagnóstico

Com a popularização dos exames de topografia corneana computadorizados, também conhecidos como videoceratoscopia computadorizada, ficou muito mais fácil de identificar e diagnosticar o ceratocone desde seu início. Nesta fase o caso pode ser interpretado como suspeita de ceratocone ou mesmo como um astigmatismo corneano. Os exames mais sofisticados de equipamentos como Pentacam, Nidek Magellan Mapper entre outros, oferecem dados de extrema precisão da córnea, que vão além da topografia de córnea. É possível obter paquimetrias de não contato de grande precisão de toda a extensão da córnea, mapas de elevação anterior e posterior, entre outros dados que podem ser utilizados como estudo da córnea e das ectasias corneanas, como o ceratocone, a degeneração marginal pelúcida, ceratoglobo e outras distrofias da córnea, além de casos pós-transplantes, pós-implante de anéis intracorneanos ou mesmo de córneas irregulares pós-cirúrgicas. Sendo assim, hoje é possível se obter diagnósticos muito mais precisos utilizando estas tecnologias, que apesar de serem de altíssimo custo, podem significar a diferença entre um diagnóstico de "suspeita" de ceratocone de um diagnóstico definitivo desta patologia. A tecnologia pode igualmente colaborar na adaptação de lentes de contato de alta performance no ceratocone avançado e também ajudar na elaboração de um plano de tratamento, seja ou não cirúrgico.


Tratamentos Existentes e Reconhecidos

Óculos e Lentes de Contato ConvencionaisAtualmente existem diferentes opções para o tratamento do ceratocone disponíveis, entre elas a tradicional prescrição de óculos quando é possível obter-se uma acuidade e qualidade visual aceitável, as lentes de contato gelatinosas ou rígidas convencionais. Existem lentes especiais rígidas, gelatinosas e híbridas de desenhos mais sofisticados para casos mais graves. Uma tecnologia que vem crescendo muito são as lentes de contato RGPs de alta performance que abrangem todos estes casos como as lentes Ultracone que atualmente permitem a adaptação em casos avançados e extremos, graus IV e V respectivamente.

Tratamentos CirúrgicosTemos como opções cirúrgicas, o implante de segmentos de anéis intraestromais (o implante de um segmento único também pode ocorrer), um procedimento minimamente invasivo que é reversível, e das técnicas de cirurgia de transplante de córnea, como a ceratoplastia penetrante e a ceratoplastia lamelar com o uso do Intralase. É importante ressaltar que a cirurgia de implante de anéis intraestromais foi apenas reconhecida há poucos anos, tanto nos EUA pelo FDA (Food & Drug Administration) como no Brasil pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Tratamentos em EstudoUm estudo que vem sendo conduzido em alguns países, inclusive já no Brasil, é o C3R ou Colagen Crosslink with Riboflavine. A técnica, realizada ambulatorialmente, leva cerca de 30 minutos e consiste na raspagem do epitélio corneano e a aplicação de riboflavina sob luz UV-A. O propósito do procedimento é prover a córnea do paciente com ectasia corneana a rigidez e resistência necessária para que ela possa interromper sua progressão, barrando desta maneira sua tendência de afinar e evoluir. A técnica não permite uma cura, mas um maior controle do ceratocone. Os resultados mostram-se promissores, embora seja necessário um maior tempo para estudar os resultados a longo prazo.

Existem algumas clínicas em outros países fazendo estudos com esta técnica em conjunto com o implante de anéis intraestromais, o que permite que além de controlar o ceratocone, fortalecendo a córnea, pode-se aplanar a ectasia, diminuindo assim a curvatura e a irregularidade da córnea. Em casos iniciais da patologia os resultados são melhores, já em casos mais avançados consegue-se amenizar as irregularidades, não removendo-as completamente, sendo necessária ainda correção visual (adaptação de lentes de contato geralmente ou óculos se possível).

Ao que tudo indica, haverá em um futuro próximo, estudos onde serão aplicados três técnicas em conjunto, o C3R, o implante de segmentos de anéis intraestromais e finalmente a realização de cirurgia refrativa a laser por fotoablação. Ainda há muito o que considerar para submeter uma córnea transparente e sem lesão a tantos procedimentos, mas não resta dúvidas de que os estudos são promissores, mesmo que sirvam apenas em alguns casos.

Estudos das técnicas de tratamento do ceratocone.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Comunidade Ceratocone e Tratamentos do Orkut

Olá a todos,

É uma alegria ver a comunidade criada em 19 de Julho de 2004 estar hoje quase ultrapassando o número de 3000 membros. A pessoa que me falou do Orkut em primeiro lugar, foi o oftalmologista Dr. Saul Bastos, o que me causou muita surpresa na época, pois ligado em alta tecnologia e em internet como sou, ainda não conhecia o Orkut. Eles me falaram que tinham lido ou ouvido falar e perguntaram se eu estava participando, claro que fiquei com a aquele ar de "hã?" hehehe.


Com esse empurrãozinho logo um amigo me enviou o convite (na época só entrava por convite) e tive a iniciativa de criar a comunidade que leva este mesmo nome do blog, para ajudar a pessoas que eventualmente pudessem precisar de ajuda. Conhecendo meus mentores profissionais na área e no exterior, sabia da imensa dificuldade e desinformação que existia (e ainda existe) sobre o tema ceratocone e naturalmente sobre os diversos tratamentos existentes e em estudo.


O que eu não esperava era que a comunidade crescesse na ordem de aproximadamente 72 por mês, tendo períodos de picos de novos membros e outros de crescimento mais lento e gradual, mas hoje, 3 anos e meio depois, somos quase 3000 membros, e em poucos dias seremos mais de 3000. Tenho feito um trabalho intenso e árduo, até mesmo em minhas quase constantes viagens profissionais, para estar presente e levar conteúdo de qualidade, informações precisas e com referências muitas vezes bibliográficas em publicações científicas e médicas, além de também ter apoio de diversos oftalmologistas que tive a oportunidade de conviver e conhecer.


Tenho que agradecer também a participação dessa comunidade, muitos ali ajudam aos outros e me ajudam também, postando informações valiosas e precisas. É sem sombra de dúvidas, a comunidade mais bem informada e mais organizada, o grupo de discussões de mais alto nível que conheço na América Latina. É uma honra estar a frente nessa missão e contar com esse pessoal que participa, gente da melhor qualidade e que amadurece a cada dia, dá um grande alento a aqueles que recebem o diagnóstico e ficam angustiados e ávidos por maiores informações.


Um agradecimento especial ao pessoal da Ultralentes e do IOSB de Porto Alegre que muito tem apoiado essa comunidade, com informações valiosas e explicações sobre casos especiais, não somente de ceratocone mas como outros assuntos correlatos. Sem eles eu teria uma imensa dificuldade em poder realizar todo esse trabalho. Eu da minha parte, também ajudo a divulgar o trabalho realizado por eles, pois a lente Ultracone é provavelmente a melhor lente de contato para ceratocone no mundo, e o IOSB é que desenvolve a pesquisa científica e clínica para criar lentes e técnicas de adaptação de lentes especiais que acabam beneficando milhares de pacientes no Brasil e alguns outros no exterior.


A comunidade Ceratocone e Tratamentos está aberta a todos que quiserem participar, e também o Fórum Ultralentes, basta clicar nos nomes aqui para entrar (links). Você que chegou a este blog, saiba que é um portal da comunidade no Orkut, e que o Fórum Ultralentes também tem informações valiosas e um espaço para que você possa ser orientado e tirar dúvidas.


Um abraço a todos e lembrem-se de que aqui é a sua casa, sinta-se a vontade para participar, seja em que veículo for, até mesmo postando suas mensagens aqui no Blog. No Orkut, o Ricardo e a Vera me ajudam na moderação e eventualmente ajudando aos novos membros que lá chegam, procure ler os tópicos de como postar, o F.A.Q. da comunidade e seus tópicos mais importantes, com certeza você irá encontrar muita coisa interessante ali.




Luke
Organizador da Comunidade