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Este blog tem o compromisso de divulgar informações precisas e atualizadas sobre o ceratocone e as opções de tratamento, cirurgias e especialmente da reabilitação visual com uso de óculos ou lentes de contato.

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terça-feira, 20 de abril de 2021

TRIBUTO A SAUL BASTOS - EDIÇÃO MAIO 2021

O IOSB tem a tradição de todos os anos realizar uma campanha por um determinado período com valores de consultas, testes e adaptação de lentes de contato especiais por valores parcialmente subsidiados pelo instituto. O propósito é disponibilizar a mais pacientes necessitados e com dificuldades financeiras e de casos de alta complexidade para que possam adaptar lentes de alta qualidade e tecnologia, com segurança e com valores bem mais acessíveis.

São mais de 51 anos de especialização, pioneirismo e desenvolvimento de técnicas de adaptação, de desenhos avançados de lentes especiais com grande sucesso. Especialização nos Estados Unidos e na inglaterra com alguns dos maiores especialistas do mundo na área.

Em 2020 não foi possível realizar o tributo devido a pandemia, então este ano a campanha está sendo antecipada para Maio, com toda a segurança com horários bem espaçados, protocolos de higiene, horários com vagas limitadas. Seguem maiores informações abaixo.



ORIENTAÇÕES:

Algumas regras para o agendamento de consultas e testes de lentes, de maneira a assegurar segurança e a organização das marcações que serão limitadas.
1. O agendamento deverá ser prévio, a consulta para ser marcada deve ser paga a metade do valor da consulta antecipadamente, via depósito bancário de forma a assegurar o dia e horário da consulta inicial. Caso o paciente não compareça esse valor não será devolvido pois o horário ficará vago.
2. Os pacientes devem suspender o uso de lentes rígidas ou esclerais por pelo menos 48 horas antes da consulta para assegurar a precisão do teste. Caso sejam lentes gelatinosas é preciso suspender o uso com uma semana de antecedência.
3. O tempo entre a consulta inicial, testes e entrega das lentes é de 2 a 3 dias, incluindo treinamento, orientação e conferência do resultado.
4. As vagas são bem espaçadas de maneira a termos mais tempo com cada paciente e para maior segurança.
5. Pacientes com sintomas de gripe ou resfriado devem aguardar o prazo de 14 dias até não apresentarem sintomas para segurança de todos.
6. Caso o paciente queira parcelar as lentes, será feito pelo valor normal sem o desconto mas em até 12 parcelas sem juros. Maiores informações pelo WhatsApp do IOSB.
7. É possível em alguns casos que seja solicitado um ou mais exames, por exemplo: Pentacam, OCT, Miccroscopia Especular. Temos a disponibilidade de um laborátório próximo ao Iosb Reabilitação Visual (meia quadra) que oferece valores especiais para nossos pacientes. O exame é feito e entregue no IOSB no dia seguinte ao exame pelo próprio laboratório.
8. Temos recebido nos últimos 12 meses de todo o Brasil, claro que com a atual situação do país diminuiu, quem lembra sempre tinhamos de 4 a 6 pacientes por semana de diversos outros estados, mas o importante é que todos os pacientes que vieram tiveram toda a segurança e ficaram bem com suas lentes.
9. O Tributo a Saul Bastos é uma homenagem ao saudoso Dr., Saul Bastos, oftalmologista pioneiro na reabilitação visual com o uso de lentes de contato especiais.
10. Estamos fazendo uma edição inédita desta campanha em virtude da grande dificuldade que muitos estão passando, tanto pela dificuldade ou receio de locomover-se ou pelos valores de lentes. O esforço que estamos fazendo em relação aos preços é algo inédito, com valores subsidiados pelo Instituto para que possamos atender aos pacientes mais necessitados.
SEJAM TODOS BEM-VINDOS.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Colírio para tratamento de ceratocone, você já ouviu falar?

Bastante promissor o estudo desta medicação chamada IVMED-80 que consiste na verdade em um tratamento de crosslinking transepitelial mas com uma posologia para aplicaçã ou seja, não é uma aplicação única e sim pingar o colírio do medicamento por um determinado tempo. Um dos inconvenientes do crosslinking tradicional é a necessidade de raspagem do epitélio corneano, o que torna muito dolorido o pós-operatório especialmente no dia seguinte, e também a limitação de uma espessura mínima da córnea de 400 micras (crosslinking tradiciona, protoloco de Dresden), o que limita para alguns casos.

O estudo é recente e tem um "n" baixo, foram cerca de 31 pacientes que concluiram o estudo, logo como foram três grupos, sendo dois que receberam o tratamento de formas diferentes e um terceiro com placebo (teste duplo-cego randomizado), mesmo assim os resultados são otimistas e condizem com os observados na técnica tradicional. O crosslinking transepitelial que é realizado utiliza ainda o raio ultravioleta que seria um catalizador do processo, apenas neste caso não há a raspagem do epitélio corneano. No caso deste medicamento IVMED-80, pelo que se vê é um tratamento com uma certa duração e "provavelmente" conta com a iluminação natural do sol para agir como catalizador, mas no artigo fica claro que o processo é farmacológico ou seja, a indução farmacológica da droga para induzir o crosslinking.

"O IVMED-80 é uma droga que regula positivamente a lisil oxidase (LOX) e induz o crosslinking corneano farmacologicamente."

O estudo ainda está em fase 2, devendo entrar agora em fase 3. É importante observar os resultados a longo prazo e estabelecer quais os critérios para sua aplicação assim como definir protocolos de utilização. Também importante observar os casos a longo prazo para saber se como no crosslinking tradicional ainda se observa alguma alteração topográfica, mesmo que pequena.

Enfim é uma boa notícia para os casos especialmente dos pacientes mais jovens que estão mais propensos a episódios de progressão e aos casos mais raros de pacientes com mais de 30 - 40 anos que ainda apresentam episódios de progressão. É importante saber quais os fatores que podem contraindicar o tratamento.Segue abaixo link para o artigo da Dra. Juliana Rosa*.

Comentários por Luciano Bastos

 Colírio IVMED-80 no tratamento do Ceratocone

*Autora: Dra. Juliana Rosa
Pós graduação Lato Sensu em Córnea pela UNIFESP ⦁ Especialização em lentes de contato e refração pela UNIFESP ⦁ Residência médica em Oftalmologia pela UERJ ⦁ Graduação em Medicina pela UFRJ ⦁ Contato via Instagram: @julianarosaoftalmologia

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

CERATOCONE: LENTES RÍGIDAS OU ESCLERAIS?

Excelente pergunta, e resposta complexa.

Dez pontos a considerar em relação a ambas opções:


1. O ceratocone nem sempre se apresenta de uma mesma forma. Conforme a posição, tamanho e forma do ceratocone as lentes rígidas podem apresentar diferentes resultados.

2. Deve-se levar em conta que existem pelo menos uns quatro fabricantes de lentes rígidas para ceratocone no Brasil. Cada um tem seu desenho e os resultados variam muito pela tecnologia, qualidade e regularidade de resultados.

3. A lente Ultracone (figura 1) foi desenvolvida pelo oftalmologista Dr. Saul Bastos, pioneiro na adaptação de lentes rígidas especiais no Brasil. No início chegou a ser o principal e mais importante cliente de todos os demais fabricantes. Em 1986 ele fundou a Ultralentes junto com seu filho Luciano Bastos para melhor a qualidade das lentes e das adaptações feitas no hoje Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos - IOSB.  Anteriormente ele usava lentes de outros fabricantes e tinha que polir e modificar todas no consultório e muitas vezes vinham com pequenos erros.


Fig. 1. Adaptação perfeita da lente Ultracone.

4. A Ultralentes então ao longo do tempo sempre teve um foco na qualidade e no desenvolvimento tecnológico das lentes e surgiu a Ultracone que hoje possui quatro módulos de diferentes modelos para diferentes níveis de complexidade do ceratocone. E é de longe a lente rígida que oferece os melhores e mais consistentes resultados comparada a qualquer outra lente rígida. A regularidade de ótimos resultados é surpreendente e muitos oftalmologistas no Brasil, alguns dos mais experientes, adaptam rotineiramente as lentes Ultracone.

5. Mesmo assim no IOSB - Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos onde adaptamos as lentes Ultracone com grande sucesso e também as esclerais SSB e SB Full da Ultralentes tem casos onde a escleral tem melhor indicação conforme o caso. As lentes esclerais tem a vantagem de por não tocarem a córnea e não terem mobilidade proporcionam grande conforto ao paciente. Também protege o olho da entrada de corpo estranho (ciscos), da poeira ou fumaça, além de manter os olhos lubrificados durante o uso, o que gera um "ecossistema saudável" para a fisiologia da córnea. A desvantagem é a colocação e remoção que é um pouco mais demorada que as lentes rígidas. 


Vídeo: Lente Ultracone Absolute.

6. Tem pacientes adaptados com as lentes Ultracone que sequer pedem-nos para testar esclerais pois estão perfeitamente adaptados a elas. Nos sempre informamos as opções de lentes e materiais novos aos pacientes. Tem pacientes que eram perfeitamente adaptados ás lentes Ultracone mas optaram pelas lentes esclerais SSB ou SB Full Scleral devido ao conforto ainda maior e mais segurança por ela não deslocar nunca.

7. Do ponto de vista profissional e pela postura ética e pelo protocolo deve-se iniciar os testes com as lentes rígidas, no caso do IOSB a Ultracone e conforme for se parte para a escleral. Essa é uma postura ética, deve-se sempre mencionar ambas alternativas e discutir com o paciente e conforme testar uma e outra, explicando todas as questões envolvidas, até mesmo o custo de cada opção.






"O foco deve ser sempre o melhor possível para o paciente."






8. Tem muitos casos nos quais ambas as opções podem servir ao paciente e procuramos sempre colocar as “vantagens e desvantagens” de cada uma das opções para o paciente. Tem casos em que testamos as duas e ambas ficaram excelentes e no fim o paciente decide ficar com a Ultracone ou com a lente escleral. Há também pacientes que fizeram a adaptação das duas modalidades para usarem conforme a circunstância, tendo as duas opções a disposição.

9. Outros fatores que tem influência nos resultados da adaptação tanto de uma como de outra lente são; a experiência e preparo do profissional, as opções de lentes que ele dispor e a o cuidado de orientar bem o paciente, dando-lhe todas as informações necessárias e tirando suas dívidas. Isso requer conhecimento. Uma consulta de paciente com ceratocone ou casos pós-cirúrgicos como pós-implante de anel ou pós-transplante de córnea não pode ser realizado em apenas 15-20 minutos, salvo em alguns casos. É preciso orientar, conversar e dar a devida atenção ao caso. O paciente de ceratocone é uma pessoa fragilizada pela diminuição muitas vezes incapacitante da visão e está ávido por informações e maior segurança, tanto ele como familiares, amigos, etc.


Vídeo: Lente escleral SB Full Scleral em caso de ceratocone

10. O foco deve ser sempre o melhor possível para o paciente, se lentes rígidas ficarem boas e forem de boa qualidade e diretamente adaptadas o paciente terá sucesso com elas. O mesmo vale para esclerais, precisam ser de boa qualidade e bem adaptadas, o paciente deve ser muito bem treinado e orientado a manusear, limpar, colocar e remover as lentes. 
 
As complicações de lentes esclerais podem vir um pouco mais tardiamente pois elas se apoiam sobre a conjuntiva escleral que tem menor sensibilidade. Isso tem sido bastante observado no IOSB com pacientes que nos procuram por complicações do uso de lentes esclerais, quando se observa o caso constata-se que as lentes não estão corretamente adaptadas ou tem uma qualidade sofrível que dificilmente se percebe se não houver grande experiência do oftalmologista.

Qualquer que seja o modelo, a qualidade, a tecnologia e a experiência do adaptador são cruciais na obtenção de bons resultados.


Luciano Bastos
Diretor e Instrutor Clínico de Lentes Especiais
IOSB - Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos


Diretor e Consultor em LC Especiais
Ultralentes

Colunista da Contact Lens Spectrum Magazine

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Sobre os Tratamentos Atuais para Ceratocone.

Respondendo a uma pergunta no grupo Ceratocone & Tratamentos no Facebook acabei me alongando na resposta e percebi que muitas pessoas gostariam de ter uma ideia dos tratamentos disponíveis no Brasil e no mundo para o ceratocone. Fiz uma síntese destas técnicas e procuro explicar da forma mais compreensível possível. Um fato muito bom é que a Oftalmologia Brasileira está no mesmo nível da praticada no primeiro mundo e em nada deve em relação a técnicas e tecnologias. Isso é maravilhoso, precisamos apenas que esteja mais disponível para mais pacientes, mas nós vamos chegar lá.

Transplante de Córnea

Todo e qualquer tratamento que envolva procedimentos apresentam algum grau de risco. De todos os tratamentos o que envolve maior risco é o mais invasivo que é o transplante de córnea. Claro que esta cirurgia evoluiu muito nas últimas décadas e com técnicas menos invasivas como o transplante lamelar profundo mas mesmo a técnica tradicional chamada penetrante também evoluiu muito, especialmente quando realizada de forma automatizada com o laser de femtosegundo. Esta cirurgia tem um propósito nobre de renovar a porção central da córnea quando não é mais possível obter uma acuidade visual satisfatória devido a cicatrizes e opacidades ou a dificuldade na correção total do astigmatismo irregular por lentes de contato. O risco maior sempre é a rejeição e como se dará o tratamento e prognóstico devido a necessidade de uso (as vezes excessivo) de medicações com corticoides que podem causar glaucoma e catarata precoce. Mas os resultados na maior parte dos casos é benéfica para os pacientes, muitas vezes possibilitando que o uso óculos (o que antes não era possível) após a cicatrização e estabilização da cirurgia.

Em alguns casos pode ser necessário a adaptação de lentes de contato especiais, especialmente quando após a estabilização a córnea apresente um astigmatismo irregular elevado, o que pode ocorrer. Nestes casos atualmente a adaptação de lentes esclerais de alta qualidade com materiais de altíssima oxigenação e sistema de ventilação no desenho das lentes (como as da Ultralentes) permitem uma ótima adaptação, uma excelente acuidade visual e especialmente a manutenção da saúde fisiológica da córnea.

Implante de Anel Intracorneano

Já a cirurgia de implante de anel que serve para melhorar a regularização da superfície corneana, procura diminuir o máximo possível do astigmatismo irregular e assim proporcionar melhor resultado visual com e sem correção. A técnica também avançou muito com novos modelos e formatos de anel mas infelizmente não funciona em todos os casos. Geralmente funciona melhor em casos mais iniciais e moderados. Os riscos são bem menores em relação a técnica mais invasiva como o transplante de córnea e embora possam ocorrer complicações, geralmente o oftalmologista pode resolver sem maiores dificuldades.

Há duas maneiras de realizar o implante, pela técnica manual (cirurgião que faz os dutos dos segmentos) ou a automática pelo laser de femtosegundo, uma técnica muito precisa na qual os dutos onde serão inseridos os segmentos do anel intracorneano são feitos a laser com muita precisão. Em relação ás técnicas, cirurgiões experientes afirmam que a cirurgia pode ser realizada manualmente com grande precisão, especialmente quando o cirurgião já tem uma boa curva de experiência na técnica.

Em relação aos resultados, talvez por geralmente recebermos no IOSB os casos onde não houve um bom resultado na resposta visual pós-cirúrgica, me incomoda um pouco a questão da pouca previsibilidade dos resultados. O cirurgião sempre se dedica a fazer o melhor e buscar um resultado que diminua o astigmatismo irregular, que diminua ao menos um pouco o grau total do erro refrativo do olho do paciente, no entanto as vezes os pacientes sentem que não houve mudança, ou que foi pouca melhora ou até que piorou. É controvertido pois pode-se pensar que talvez um cirurgião tivesse feito de uma forma e outro de outra, então é difícil afirmar que o implante não adiantaria naquele paciente específico, mas o fato é que estes pacientes existem. E tem o lado bastante positivo que é o dos pacientes que beneficiaram-se da técnica e que ajudou ou melhorou muito a sua acuidade visual em relação a antes do procedimento.

Quando o implante não proporciona uma boa visão com ou sem correção por óculos, novamente as lentes de contato especiais tornam-se a alternativa a ser seguida para a reabilitação visual do paciente. E após a adaptação do anel, há um ligeiro aumento na dificuldade da adaptação de lentes de contato rígidas, pois há uma pequena elevação, geralmente na extremidade do segmento inferior, que faz com que ocorra um toque na superfície da lente rígida, ocasionando ceratites recorrentes e desconforto no paciente. Em 2011 escrevi um artigo que foi publicado na Contact Lens Spectrum Magazine (foi capa da edição de Novembro de 2011) sobre as dificuldades de adaptar lentes para ceratocone pós-implante de anel e como desenvolvi desenhos especiais para literalmente sobrepor o problema. Foi a partir de 2005 que comecei a desenvolver os módulos da lente rígida gás permeável Ultracone chamados de PCR (Post-Corneal Ring) e IL (IntraLimbal).

Em meados de 2008 lançamos de forma pioneira no Brasil as modernas lentes esclerais gás permeáveis, inicialmente com diâmetros de 16 mm. A partir de 2010 já estávamos fabricando na Ultralentes lentes esclerais de diâmetros até 19.5 mm. As lentes esclerais representam uma excelente solução para os casos de adaptação pós-implante de anel. A lente escleral sobrepõe a córnea de limbo a limbo, evitando qualquer contato com a córnea, preservando totalmente a sua integridade. As lentes esclerais da Ultralentes também contam com tecnologia própria, de canais de ventilação invisíveis a olho nu (tecnologia desenvolvida por mim, chamada de Spline Wave Technology. A adaptação de lentes esclerais permite excelentes resultados e com as diversas opções de personalização das lentes SSB e SB Full Scleral temos obtido resultados fantásticos com estas lentes.

Crosslinking

É comum vermos os pacientes em redes sociais falando sobre esta técnica, muitos referem-se a ela simplesmente como "crosslink" mas a denominação correta é "crosslinking".

A técnica do crosslinking do colágeno de córnea com riboflavina sob luz ultravioleta tem a finalidade de aumentar a resistência biomecânica da córnea para evitar a sua progressão. Incialmente, pelo protocolo de Dresden a técnica tem indicação somente quando há basicamente a constatação inequívoca de progressão em um período de 6-12 meses aproximadamente e que a córnea tenha uma espessura mínima de 400 micras no seu ponto mais fino. Este procedimento é feito após o médico realizar uma raspagem do epitélio corneano na sua porção central para facilitar a absorção da riboflavina. Embora seja mais efetiva a ação causa algum desconforto (dor) no pós-operatório (dia seguinte), nada que não possa se tolerar com o uso de analgésicos. Há alguns casos de complicações mas são raros. Nos já vimos dois casos no IOSB.

Posteriormente se desenvolveu novas técnicas do crosslinking (CXL) que consistem no CXL acelerado, na combinação de técnicas de formas diversas como anel+CXL ou PRK (cirurgia refrativa)+CXL entre outras. Chama-se a está maior liberdade de técnicas de Protoloco de Atenas quando decidiu-se que o cirurgião teria liberdade para planejar a cirurgia combinada da forma que ele entendesse que seria a mais adequada ao paciente.

Em termos comparativos fica muito difícil realizar uma análise precisa dos resultados devido a diversidade de tecnicas combinadas, exceto se houver um estudo que preconize um protocolo específico realizado por um especialista ou mais que utilizem a mesma técnica em vários pacientes. A grande questão é que a córnea é um dos orgãos mais nobres e delicados, frágeis que existem, o modelamento da córnea, embora seja um desejo tanto do cirurgião e do paciente, é difícil de se obter. A córnea pode responder ao "insulto" de uma intervenção de diferentes formas e até mesmo agravar o quadro se houver remoção de muito tecido ou uma tentativa de ir mais adiante para melhorar o resultado, portanto é preciso cautela.

Crosslinking Transepitelial

Também existe a técnica do crosslinking transepitelial que consiste em utilizar uma riboflavina modificada com moléculas menores de forma que possa ser aplicada sem a raspagem do epitélio corneano. Isso do ponto de vista do pós-tratamento é bem melhor e mais confortável para o paciente mas a literatura mostra que tem menor eficácia que o método tradicional com a raspagem. Os estudos no sentido de aprimorar esta técnica, bem menos invasiva, são muito bem-vindos. Neste caso o objetivo a ser buscado é unicamente o fortalecimento da resistência biomecânica da córnea como no caso do crosslinking tradicional, segundo o protocolo de Dresden. 


Implante Estenopeico


Finalmente existe a técnica do implante estenopeico desenvolvida pelo Dr. Trindade que tconsistir em remover o cristalino transparente e saudável do paciente, implantar uma lente intraocular (LIO) como se fosse uma cirurgia de catarata e junto dessa lente prender junto uma lente escura com um pequeno orifício por onde passa a luz.

Está técnica pode ajudar muito a quem não tem outra alternativa mas deve ser vista com muita cautela porque apresenta sim outros riscos. É importante verificar a retina do paciente, a pressão intraocular e demais estruturas. No caso do paciente com ceratocone uma eventual necessidade de transplante futuro é algo que ainda teremos que saber como irá reagir a visão. O implante estenopeico diminui um pouco a visão periférica e diminui a capacidade de se acostumar com a luz baixa ou a noite pois chega menos luz na retina devido ao implante bloquear parte destas luzes e permitir somente que as luzes que entram frontalmente cheguem na retina.

Adaptação de Lentes de Contato

Embora a adaptação de lentes de contato não possa ser considerada uma forma de tratamento para o ceratocone é largamente a melhor e mais eficaz maneira de proporcionar a reabilitação visual dos pacientes de ceratocone na maior parte dos casos onde o ceratocone já cria dificuldade para uma correção visual com óculos. 

Para falar de lentes de contato especiais e reabilitação visual, que é nossa especialidade há mais de 50 anos, precisaria de um capítulo a parte. São muitas as opções de lentes especiais de diversos fabricantes, cada um tem seus desenhos e muitas vezes os resultados são muito bons. As lentes que melhor proporcionam uma melhor acuidae visual são as lentes rígidas especiais e as lentes esclerais. Há também lentes gelatinosas para o ceratocone, lentes híbridas e a técnica do piggyback (lente rígida em cima de uma gelatinosa). 

A adaptação de lentes de contato especiais responde pela maior parte das técnicas para corrigir melhor o defeito refrativo de pacientes com ceratocone e com astigmatismos irregulares pos-cirúrgicos, assim como ametropias elevadas. O ideal é que os pacientes procurem especialistas experientes e que trabalhem com fabricantes que desenvolvam suas soluções, estes tem maior flexibilidade para personalização das lentes conforme a necessidade. No entanto mesmo fabricantes que utilizam tecnologias sob licença de uma marca internacional dispõem de boas lentes e soluções que ajudam muito na obtenção de bons resultados.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Lentes para Ceratocone - Porto Alegre - Rio Grande do Sul









Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos (IOSB)Iosb Reabilitação Visual
Porto Alegre, RS

o IOSB retorna ao atendimento de pacientes para reabilitação visual com lentes de contato especiais. Nesta semana retomamos os atendimentos com todos os cuidados e protocolos de segurança para que possamos dar toda a atenção e cuidado.


Os horários estão mais espaçados para não haver aglomeração, os pacientes são orientados a vir usando suas máscaras ou caso necessário disponibilizamos uma descartável.
Para o retorno, estamos dividindo os horários em turnos diferentes, para que possamos ter ao menos dois dias e horários disponíveis para o paciente.

O tempo entre testes de lentes rígidas Ultracone e esclerais SSB ou SB Full até a entrega (e treinamento se necessário) é de uma semana. Normalmente era em torno de très dias mas devido a atual conjuntura o para organizar melhor os horários tivemos que aumentar o prazo para uma semana.

Esta semana tivemos ja uma grande alegria em entregar as lentes rígidas de uma querida paciente de Pelotas, senhora de 70 anos que usa lentes há mais de 20 anos e também de um jovem paciente usuário de lentes esclerais que veio para trocar suas lentes.

É uma grande alegria poder voltar a servir e ajudar as pessaos, é nosso trabalho, é nossa missão, é de onde o IOSB se sustenta mas não há satisfação maior em ver a alegria dos pacientes voltarem a ter uma visão melhor, isso não tem preço, nada é melhor que isso.


Caso você que já é paciente do IOSB ou aqueles que desejam consultar queiram maiores informações ou mesmo organizar sua vinda ao
Iosb Reabilitação Visual por favor ligue ou envie mensagem para: Celular/WhatsApp 51 - 98 444 5050 com a Graça Galarça

Como estamos trabalhando em dias alternados por enquanto, caso você ligue para o
telefone fixo (51) 3226 0746, deixe recado após a saudação da secretária eletrònica.

Nosso e-mail é iosb@iosb.com.br

Website
www.iosb.com.br


Temos a convicção de que somente com todos os cuidados e atenção necessárias podemos atender a demanda dos pacientes que precisam da reabilitação visual com lentes especiais para que estes possam ter uma melhor qualidade de vida, para se proteger e para exercer as suas atividades. Luciano Bastos Diretor e Instrutor Cl[inico de LC Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos


quinta-feira, 9 de abril de 2020

ALERTA - COVID-19

ALERTA - COVID-19

Pacientes com ceratocone tem normalmente episódios de coceira ocular, em alguns casos a coceira deve-se a rinite alérgica e a demais problemas como instabilidade do filme lacrimal.

É importante não coçar os olhos para não agravar o ceratocone e agora com o covid-19 é mais importante ainda evitar de tocar no rosto (boca, nariz e olhos) para evitar a contaminação.

Lembrem-se de fazer higiene das mãos rigorosa conforma recomendado pelos especialistas e pelos órgãos de saúde, lavar as mãos com água e sabonete com frequência, limpar com frequência  maçanetas e utensílios que sejam utilizados por mais pessoas.

Em casos de urgências oculares procure um atendimento de emergência oftalmológico mais próximo de sua casa, e saia com os devidos cuidados.


RECOMENDAÇÕES PARA USUÁRIOS DE LENTES DE CONTATO

1. Manter rigorosa higiene, sempre importante lavar bem as mãos para manipular as suas lentes, para inserir e remover.

2. Fazer a correta assepsia das lentes com os produtos indicados, tanto antes de colocar como após remover as lentes.

3. Para usuários de lentes rígidas e esclerais, fazer limpeza mecânica com shampo neutro e soro, friccionar levemente a lente sobre a palma da mão, enxaguar com soro e somente depois realizar a assepsia com a multi-solução apropriada. Isso ajuda a manter as lentes mais limpas e saudáveis.

4. Caso esteja com sintomas de gripe não utilize as lentes, faça a correta limpeza e desinfecção descrita acima. Armazene as lentes no estojo com a solução, aguardar até melhorar para voltar a usar as lentes.

5. No caso de pacientes que eventualmente tenham a confirmação de contágio pelo covid-19 importante não utilizar as lentes até que esteja plenamente recuperado. Fazer assepsia nas lentes e deixá-las em solução apropriada.

6. Em caso de dúvidas entre em contato pelo e-mail ou pelo número de WhatsApp do IOSB que iremos responder com a maior brevidade possível.

7. Não utilizar em hipótese alguma álcool, seja líquido ou em gel, nas lentes de contato pois isso irá danificá-las.

8. Evite sair de casa, especialmente em áreas densamente povoadas. Se tiver que sair utilize máscara e procure ficar a uma distância segura de 2 a 3 metros das demais pessoas.

9. Utilizar óculos de sol ou de grau também ajudam a proteger os olhos de partículas sólidas de pessoas que expirrarem ou tossirem. O ideal é manter a distância.

10. Se todos mantiverem as recomendações será mais seguro para todos. Enquanto a pandemia estiver em curso procure manter a tranquilidade e a serenidade. Embora os casos de complicações sejam baixas no total de indivíduos, o contágio do covid-19 é muito alto portanto é fundamental a prevenção e os cuidados recomendados pelos órgãos de saúde.


Nós iremos atravessar esta luta juntos, nosso país é grande e temos muita garra, a pandemia irá passar e esperamos que em breve possamos todos ter melhores notícias, tanto de um menor número de casos como também da efetividade da medicação que vem sendo adotada por importantes especialistas.

Importante termos fé na ciência e em nós, fé cada um naquilo que acredita, que em breve estaremos todos mais tranquilos e a vida retornando a uma maior normalidade.


Aproveitamos para desejar a todos uma Pascoa com amor, solidariedade e paz.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Uma luz sobre o Ceratocone para 2020

É sempre importante esclarecer estas dúvidas. Ao longo de mais de 30 anos com pacientes do Iosb Reabilitação Visual e de mais de 15 anos de convívio com pacientes de ceratrocone no grupo Ceratocone & Tratamentos (desde o tempo do Orkut) me deparei com este tipo de indagação ou dúvida. Não é incomum comentários de que os médicos ou mesmo cientistas não estão preocupados com a "cura" do ceratocone pois isso de certa forma os beneficiam financeiramente. Equívoco grande e que em nada ajuda o paciente.
Vamos lá.
Até meados de 1990 somente existia a opção de adaptar óculos, lentes de contato especiais ou transplante de córnea. Existiam algumas cirurgias invasivas com a finalidade de diminuir a curvatura da córnea (incisão em cunha), ai surgiu o anel intracorneano que embora tenha sido inventado por Barraquier na Colômbia, teve uma versão nacional, diferente, desenvolvida pelo Dr. Ferrara. Com isso, muitos pacientes foram e são submetidos desde então a essa técnica que para alguns funcionou ou ajudou e para outros não. Importante também mencionar o avanço no desenvolvimento de novos nomogramas do anel que visam apresentar resultados melhores.
Nas décadas a seguir surgiram novos métodos de transplante de córnea com o uso de femtosecond laser que permitiu cortes e botões de córnea mais perfeitos, recuperação mais rápida (de 18 meses do tradicional manual para 6 - 10 meses para o laser), surgiu também a técnica do transplante lamelar utilizando também o femtosecond laser (essa técnica serve apenas para casos onde há uma boa espessura corneana e permite a remoção apenas de uma camada da córnea) também com resultados melhores.
Na década do novo milênio, mais precisamente em 2001, surgiu o crosslinking de colágeno corneano com riboflavina sob luz ultravioleta, criado por Theo Seiler e Wollensak este método é o original e foi então criado o Protocolo de Dresdren. Havia muita expectativa sobre a segurança e eficácia desde tratamento, foi preciso aguardar alguns anos para que ele provasse ser eficaz em cerca de 76% dos casos (se não me engano). Em 2003, meu pai, Dr. Saul Bastos, esteve na Alemanha em Leipzig para observar os estudos, ficou otimista quanto a aplicação mas o problema é que o ceratocone não era resolvido, somente estacionado. Desde o surgimento surgiram inúmeros estudos sobre técnicas aceleradas e menos invasivas (sem a remoção do epitélio corneano, chamado de trans-epitelial) para se aprimorar a técnica e poder realizar em casos mais avançados onde a córnea estava mais fina e portanto contraindicada para o crosslinking tradicional (mínimo de 400 micras no ponto mais fino).
Em seguida, anos depois surge o Protocolo de Atenas que foi criado de maneira a permitir que o cirurgião pudesse decidir, embora não exista um protocolo rígido), eleger uma combinação ou sucessão de procedimentos (já existentes e conhecidos) de maneira a tratar o ceratocone mais agressivamente no sentido de obter melhores resultados visuais para o paciente.
Somando-se a isso, existem muitos pesquisadores em biotecnologia e biomedicina estudando a origem e como se dá o surgimento e a progressão do ceratocone. Os oftalmologistas são sim parte deste processo mas este estudo é mais laboratorial, os estudos devem ter equipes que trabalham juntas para produzir resultados científicos relevantes. Descobriu-se um gene que é comum nos casos de ceratocone mas os próprios pesquisadores afirmam que ainda estão engatinhando nesse sentido, que há muito mais a ser pesquisado. O interessante é que desde a década de 60 e 70, os livros de oftalmologia (de córnea) já falavam que o ato de coçar os olhos com força é sem a menor dúvida um importante fator para o desenvolvimento da patologia. Todas as pesquisas mais atuais também mencionam isso.
Neste tempo todo sempre houve uma grande dedicação e empenho no sentido de melhorar a qualidade de vida dos pacientes de ceratocone, sempre de recuperar a visão e evitar se possível cirurgias mais invasivas. Ai entram as lentes de contato que, infelizmente, alguns acreditam, de forma absolutamente equivocada, que se trata de "uma maneira do médico ganhar dinheiro". Não é assim, ao menos não é bem assim. Explico a seguir.
Qual o principal problema que o ceratocone provoca? A perda ou diminuição da visão de boa qualidade na qual o paciente precisa para exercer suas atividades, desde pessoais, familiares, sociais e de poder estudar e trabalhar. Ainda hoje, digamos que já estamos praticamente em 2020, a técnica que melhor resolve esta situação, de forma inequívoca, são as lentes de contato especiais, sejam rígidas ou esclerais. São lentes de contato de maior complexidade geométrica, precisam ter boa qualidade para o paciente ter conforto e boa adaptação e em muitos casos são capazes de proporcionar uma visão perfeita onde qualquer outro tratamento não chegaria. Cada caso é um caso, mas na imensa maior parte dos casos essa é uma constatação, fato.
Sempre existiram bons fabricantes de lentes no Brasil e as alternativas de lentes para ceratocone também aumentaram muito nas últimas décadas.Alguns pacientes preferem um tipo de lentes ou tem trauma do uso de lentes por terem tido experiências desastrosas com lente mal-adaptadas ou de qualidade baixa. É importante compreender que existem diferenças nas lentes fabricadas por cada fabricante, o paciente tem o direito de ter acesso a experiência de testar todas as que ele julgar necessário. A função das lentes é a reabilitação visual e não deter sua progressão. No entanto, na nossa longa experiência, lentes boas e bem adaptadas ajudam no sentido de não criar situações onde possa despertar novos episódios de progressão, principalmente por provocar a vontade de coçar os olhos. Lentes boas e bem adaptadas são saudáveis fisiologicamente.
E sobre as lentes de contato, meu pai foi médico oftalmologista pioneiro no Brasil na reabilitação visual de pacientes com ceratocone, pós-transplante e outras atrofias da córnea. E desde a década de 70 sempre houve muita dedicação, pesquisa, inovações tecnológicas e aprimoramento no sentido de obter resultados cada vez melhores. Estes anos que passamos nos EUA e na Europa, trabalhando, estudando e se aperfeiçoando não foram e nem são baratos. Exigiu muita disciplina e foco no sentido de que isso pudesse nos ajudar a desenvolver as melhores e mais aperfeiçoadas lentes de contato especiais para a reabilitação visual dos pacientes com ceratocone e demais casos de córneas irregulares, as lentes da Ultralentes são todas desenvolvidas por nós, nenhuma paga Royalties, mas os insumos desde a matéria-prima e até parte dos insumos indiretos são sim importados, em dólar e em libras esterlinas.
As lentes de contato evoluíram muito também, até meados de 1980 elas eram feitas apenas em acrílico o que fazia com que se utilizadas por muitas horas no dia provocavam edema de córnea. Meu pai com o aperfeiçoamento do desenho da lente Soper (de nosso professor Joseph W. Soper), aprimorou o desenho da lente (que acabou criando a Ultracone) e com isso permitia que os pacientes do IOSB usassem as lentes sem apresentar sinais de edema, aumentando a oxigenação pela excelência na troca lacrimal que carrega oxigênio para a córnea por debaixo da lente. Por isso que você ao ver fotos e vídeos da Ultracone que eventualmente posto aqui com aquele verde por debaixo da lente (fluoresceína que comprova a presença e troca lacrimal). Ao longo das décadas de 80, 90 e no novo milênio os materiais utilizados na fabricação de lentes de contato evoluíram bastante também, proporcionando ainda melhor relação fisiológica da lente com a córnea, embora seja fundamental o desenho da lente ser de alta qualidade e tecnologia, se não não adianta usar o melhor material que existe.
Por volta de 2002 meu pai pediu que eu estudasse as lentes esclerais, me falou quem eu deveria procurar para aprender (um professor dele nos EUA chamado Dr. Perry Rosenthal). Ele foi fundamental na minha educação e preparo em lentes esclerais (veja uma citação dele neste link ) Eu comecei a estudar nos livros antigos pois as lentes esclerais são antigas, não são de agora como muitos pensam, apenas foram substituídas pelas lentes rígidas por apresentarem melhores resultados fisiológicos que as esclerais que naquela época não eram permeáveis ao oxigênio como agora. E desta forma, meu pai, um visionário, me provocou no sentido de estudar e já começar a desenvolver estas lentes tão logo os fabricantes de matéria-prima se dessem conta de que seria um caminho saudável a seguir. Não deu outra, em 2006 recebi as primeiras amostras de materiais de lentes esclerais, tudo era novo, era um bloco maior, não cabia nos equipamentos e então comecei uma longa preparação, trocando equipamentos, fazendo alterações em equipamentos pré-existentes para inciar os testes.
Em meados de 2008 iniciamos, pioneiramente no Brasil, as primeiras adaptações em pacientes antigos do Iosb Reabilitação Visual e os resultados que observamos durante e um ano depois foram muito animadores. Desde então o Iosb Reabilitação Visual já adaptou cerca de 3000 pacientes com lentes esclerais SSB e SB Full Scleral, dos menos aos mais complexos casos onde nenhuma outra escleral fabricada no Brasil ou na América Latina consegue chegar, casos desde simples com esclerais menores até casos como alguns que postei aqui recentemente com diâmetros entre 19 e 21.0 mm.
O que ocorre é que o paciente de ceratocone hoje se transformou, por parte de "alguns" especialistas, em um "nicho de mercado", sim, veem os pacientes não como uma pessoa que precisa do seu melhor, mas uma oportunidade para uma cirurgia ou para lentes de contato, então todos hoje são "***especialistas***". Claro que isso não é a regra, felizmente, mas não é raro vermos relatos de membros aqui da comunidade ou de pacientes do Iosb Reabilitação Visual dizendo que o médico ofereceu fazer crosslinking, implante de anel e depois adaptar lentes de contato. Mas o paciente tinha 35 anos, ceratocone estabilizado já há alguns anos, sem episódios de progressão. Este é um exemplo apenas mas como disse, felizmente a maior parte dos especialistas tem na sua conduta estudar o que é melhor para o paciente e isso inevitavelmente em muitos casos passa pela reabilitação visual.
Bem, espero que com este texto eu possa ter esclarecido a maior parte de suas dúvidas, assim como dado uma luz sobre algumas obscuridades que giram em torno deste tema.
Estamos a disposição para colaborar, tanto com pacientes mas especialmente com médicos oftalmologistas interessados na reabilitação visual de casos de alta complexidade. Nosso trabalho, embora muito discreto mas estritamente científico é todo feito para proporcionar e disponibilizar aos oftalmologistas credenciados e aos novos que nos procuram, por soluções de alta tecnologia e qualidade excepcional para resultados cada vez melhores.

Luciano Bastos
Diretor Ultralentes
Diretor do Instiututo de Olhos Dr. Saul Bastos (IOSB)

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Atualizações Ceratocone 25/12/2018

Desde que este blog iniciou muitas informações relevantes sobre o Ceratocone e os diferentes tratamentos foram abordados, especialmente a adaptação de lentes de contato especiais que é a técnica que possibilita a reabilitação visual dos pacientes, muitas vezes proporcionando uma visão perfeita ou próxima dela. Quando não possibilita uma visão perfeita ao menos melhora em muito a acuidade visual e permite a aqueles que sofrem com uma visão baixa de terem uma melhor qualidade de vida.


Um Feliz Natal para você!



Para quem é novo e esta visitando pela primeira vez ou ainda não explorou o blog sugiro utilizar o mecanismo de procura proporcionado pelo Google do próprio blog, inserindo palavra-chave do assunto específico que você deseja pesquisar. Os resultados virão em ordem de relevância e você poderá assim clicar e será aberto a postagem relacionada.


Implante de Anel e Reabilitação Visual

Embora muitos estudos e avanços sobre as alternativas de tratamento tenham surgido nas últimas duas décadas a adaptação de lentes de contato especiais como as lentes rígidas gás permeáveis e as lentes esclerais é a que proporciona uma melhor resposta na reabilitação visual nos casos moderados a avançados. A técnica do implante do anel tem um papel importante para aqueles que conseguem um bom resultado, geralmente nos casos mais iniciais, no entanto existe uma imprevisibilidade dos resultados, a melhora visual não é garantida. Quando melhora é muito bom, se permitir uma acuidade visual bom com óculos ótimo.

Nos casos onde o resultado do implante não atinge estas duas possibilidades a adaptação de lentes de contato será a melhor alternativa antes de qualquer outro método invasivo. Em certos casos a presença do anel atrapalha a adaptação de lentes rígidas, por este motivo que desenvolvi na década passada e posteriormente as lentes Ultracone PCR (post-Corneal Ing) e a Ultracone IL (Intra-Limbal) para sobrepor as elevações criadas na porção paracentral inferior da córnea, o que faz com que lentes rígidas tenham contato, fricção e consequentemente induzem a ceratite e erosão pontuais nessa região. As lentes semiesclerais SSB de diâmetros entre 16.0 e 17.5 mm de diâmetro assim como as lentes esclerais SB Full Scleral de diâmetros de 16 a 20.5 mm são muito boas para estes casos, especialmente quando a complexidade topográfica é maior e a porção inferior de um dos segmentos do anel realmente induzem elevação importante.


Ceratocone e Progressão

Aqueles pacientes recém diagnosticados, especialmente jovens entre 15 e 21 anos devem ter um acompanhamento mais frequente com o oftalmologista experiente em ceratocone. É importante ficar alerta se o paciente costuma coçar os olhos com frequência e com muita força, isso é mencionado em praticamente todos os estudos sobre a origem do ceratocone. Pacientes jovens tem maior predisposição a enfrentar o que denomino de episódios de progressão. É um equivoco pensar que o ceratocone evolui sem parar o tempo inteiro. São algumas épocas e geralmente na puberdade e adolescência, provavelmente há uma questão hormonal envolvida e a questão da alergia que provoca a coceira, portanto a necessidade de observar isso e acompanhar. Nos casos onde há a constatação inequívoca de progressão significativa (progressão < 1.5 dioptrias) em um período entre 3 e 6 meses pode ser um indicativo de que a técnica do Crosslinking de Colágeno Corneano com Riboflavina sob raio Ultravioleta (ou simplesmente Crosslinking) seja necessária para proporcionar um aumento da resistência biomecânica da córnea, aumenta a rigidez da córnea e assim evita na maior parte dos casos que ocorram novas progressões. Outra premissa para a realização da técnica é a de que a córnea tenmha no mínimo cerca de 415 micras de espessura mínimo no ponto mais fino, por questões de segurança para os demais meios internos do olho que poderiam ser atingidos pela luz ultravioleta. Estas premissas básicas são mencionadas no Protocolo de Dresdren, criado pelos desenvolvedores da técnica.

Existem alguns casos no entanto que infelizmente o crosslinking não é eficaz, felizmente estatisticamente são menores estes casos. Segundo especialistas uma nova aplicação do tratamento pode ser feita. Em relação a pacientes muito jovens está em discussão sobre a indicação segura do crosslinking (CLX) mas há uma tendência de alguns especialistas de indicar o método e assim evitar que estes pacientes venham a desenvolver ceratocone avançado e chegue ao ponto de necessitar futuramente do transplante de córnea. Em raros casos pode haver complicações mas são bastante raros.

Como o crosslinking (CXL) tem a finalidade única de deter a progressão ectásica da córnea ou no caso aqui o ceratocone, a reabilitação visual dependerá do estágio em que a córnea se encontra. Casos iniciais possivelmente podem ser prescritos óculos ou lentes de contato (de diferentes tipos), nos casos moderados a avançados possivelmente e novamente vem as lentes rígidas gás permeáveis especiais e as lentes esclerais como alternativa para o melhor restabelecimento da visão.


Combinações de Tratamentos

Alguns especialistas optam por oferecer ao paciente a opção de combinação de tratamentos, isso surgiu inicialmente na Alemanha  e após o estabelecimento do chamado Protocolo de Atenas foi disseminado pela comunidade médica e científica. A combinação de tratamentos pelo Protocolo de Atenas não possui um padrão específico ou ordem dos tratamentos. A técnica permite ao cirurgião determinar a sequência de procedimentos de acordo com a sua interpretação do que irá resultar na melhor solução, nos recursos os quais o mesmo dispõe e na possibilidade do paciente de arcar com os custos das mesmas, assim como a sua concordância em submeter-se aos mesmos.

Entre as combinações mais conhecidas está o implante de anel e o crosslinking, novamente há diferentes interpretações de acordo com os cirurgiões de qual técnica é feita primeiro e o tempo e o tempo entre uma e outra. Há também alguns especialistas que sugerem a realização de aplicação de laser (femtosecond laser) seguido do crosslinking. A primeira técnica, do laser visaria proporcionar uma melhor regularização da superfície, embora seja o mesmo laser utilizado na cirurgia refrativa no caso do ceratocone esta não tem a finalidade de neutralizar todo o erro refrativo provocado pelo ceratocone mas sim amenizar as irregularidades de maneira a diminuir o que for possível o grau esférico e cilíndrico (astigmatismo irregular) e deixar a superfície anterior da córnea menos irregular. Em seguida, as vezes logo após o procedimento do laser é realizado o crosslinking de maneira a garantir a melhor superficialização da córnea criada pelo laser. Nestas combinações lembro de um oftalmologista alemão há alguns anos atras que me disse que alguns especialistas na Alemanha chegavam a fazer as três técnicas mencionadas. O interessante no Protocolo de Atenas é que como ele é muito permissivo no consoante as alternativas de combinações que fica difícil estabelecer um estudo dos resultados, como forma de comparação, no entanto acredito que já existam estudos feitos em relação a cada uma das alternativas, para efeito estatístico e de resultados.


Quando nada mais funciona? Transplante ou lentes de contato? 

Felizmente o ceratocone não evolui para sempre, ele tende a estabilizar entre 30 e 40 anos do paciente. Acompanhando pacientes com ceratocone há mais de 45 anos, o Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos - IOSB possui uma amostragem significativa de casos que mostram essa questão. Alguns pontos interessantes a serem observados é que a partir dos 25 anos do paciente, aproximadamente, os episódios de progressão tendem a ser menos significativos e mais esparsos no tempo, tendendo assim a estabilização. Uma das ponderações que fazemos é o fato de o IOSB como referência na reabilitação visual com o uso de lentes de contato, é de que pacientes corretamente adaptados com lentes de desenhos personalizados colabora muito para um percentual de complicações muito baixo, o que é importante para a preservação da saúde fisiológica da córnea, especialmente no ceratocone. As lentes esclerais igualmente bem adaptadas vieram para dar um excelente complemento a essa questão.

Desde que o IOSB iniciou pioneiramente no Brasil a adaptação de lentes esclerais no ceratocone temos observado uma maior estabilização, ou seja, parece que os episódios de progressão são minimizados, as complicações praticamente inexistem. Claro que falamos de adaptação de lentes esclerais de alta qualidade, personalizadas em cada área da lente e com uma área de apoio suave, que não pressiona a escleral e ainda permite através dos canais de ventilação invisíveis (a olho nu) a renovação do soro seja com a própria lágrima do paciente ou com colírio lubrificante em forma de lágrima artificial sem conservantes.

A indicação de transplante de córnea ocorre especialmente quando há opacidades importantes que impedem a passagem da luz, desta forma com a restrição da passagem de luz a visão é afetada pois a imagem não chega na retina não pode ser formada adequadamente. As opacidades de lesões recorrentes de lentes mal adaptadas ou inadequadas (defasadas) pode ser a causa em alguns casos de opacidades. Outra ocorrência é quando há hidropsia aguda da córnea devido ao ceratocone avançado que provoca edema importante e a porção central da córnea fica esbranquiçada. Quando isso ocorre não há razão para entrar em pânico, essa coloração em esbranquiçada, lembrando uma nuvem ou neve geralmente some de forma espontânea em alguns dias, semanas podendo até mesmo ficar por mais de um mês. Alguns oftalmologistas prescrevem o uso de colírio de cloreto de sódio a 5% para ajudar a desfazer o edema causado pela hidropsia. O desembaçamento some e volta a transparência de forma espontânea e de uma vez. O paciente dorme e no outro dia quando acorda a córnea está limpa, é um fenômeno muito interessante. Isso irá ocorrer, só não tem como prever em quantos dias ou semanas mas geralmente não passa de 1 ou 2 meses na pior das hipóteses.

Após a resolução do edema causado pela hidropsia corneana resta verificar se restou alguma cicatriz, o diâmetro dela e se é forte o suficiente para impedir a passagem da luz de forma eficiente para proporcionar uma acuidade visual satisfatória. Geralmente há uma boa resposta pois as cicatrizes tendem a ser pequenas em relação ao diâmetro da pupila do paciente, com isso a passagem de luz ocorre e mesmo que a visão não chegue a 100% ainda assim é possível obter uma acuidade visual satisfatória com o uso de lentes de contato especiais. Mesmo nos casos onde o ceratocone é avançado ou mesmo extremo é possível obter uma acuidade visual satisfatória na maior parte dos casos, seja com lentes especiais como a Ultracone Extreme que possui curvaturas entre 65 e 75 dioptrias ou agora, felizmente com as lentes esclerais.


Perspectivas para o futuro no tratamento do ceratocone

Muitos estudos são feitos nos principais centros de pesquisa no mundo todo. As alternativas de tratamento e inclusive as próprias lentes de contato especiais evoluíram muito desde o século passado com mais alternativas do que se tinha no passado e isso tem ajudado muito. Mas o que podemos esperar do futuro? Nos estudos sobre o ceratocone há cientistas pesquisando a origem da patologia como forma de entendê-la e estabelecer um protocolo de prevenção ou tratamento inicial, há os estudos como o IVMED-80,

Este novo tratamento, iniciado em 2018 tem a finalidade de aumentar a resistência biomecânica da córnea e ao mesmo tempo reduzir mesmo que parcialmente a curvatura da córnea. O que é interessante nesta técnica é que ela é não invasiva ou seja, não há a necessidade de raspagem do epitélio corneano como no crosslinking e nem mesmo de intervenção cirúrgica do laser. A técnica consiste em um tratamento de duas gotas diárias de uma medicação em forma de colírio. Estudos realizados em animais e em cadáveres mostram que que houve efeito após seis semanas de tratamento. Atualmente os cientistas estão estudando a possibilidade de estender o tratamento para mais tempo utilizando diferentes dosagens para obter um melhor entendimento da concentração e regime de utilização para que possa ser atingido melhores resultados. Uma preocupação é que se consiga que o tratamento possa ser continuado, sem efeitos colaterais, por mais tempo e que este efeito continue ocorrendo. Isso será um grande avanço no tratamento do ceratocone, embora ainda não se tenha informações de testes em pacientes a previsão era de que ainda este ano e provavelmente em 2019 os testes clínicos em pacientes que se candidatem aos testes possa ser inicializado.

Após o início dos testes em pacientes, haverá a possibilidade de avaliar os resultados a curto, médio e longo prazo. Os estudos mais conclusivos sobre este tratamento deverão ser publicados em meados de 2020. Ainda assim, para o tratamento ser regularizado pelas agências de saúde há necessidade destes estudos como forma de garantia para que não existam complicações, portanto embora as notícias sejam excelentes é importante lembrar que sempre há necessidade de cautela e aguardar os resultados destes estudos a longo prazo.

É preciso descobrir quais os casos terão boa indicação, se há alguma restrição para determinados casos ou se a maior parte dos casos terá indicação segura. Outra vez, prevejo que a adaptação de lentes de contato especiais terão importante papel na reabilitação visual mesmo com o sucesso do tratamento. Me questiono também como o uso de lentes esclerais durante o tratamento poderia afetar os resultados. Possivelmente as lentes esclerais possam servir para não deixar o paciente sem correção durante o uso da medicação assim como talvez servir de uso terapêutico. Há muitas possibilidades, até mesmo diluir a medicação na solução salina sem conservantes (soro) e o paciente usar as lentes, isso poderia eventualmente colaborar no tratamento, tudo depende da dosagem como mencionado anteriormente, mas é claro estou me antecipando a uma questão que sequer foi mencionada nos estudos, portanto vamos aguardar.


Notal final

Aproveito para desejar a todos os leitores, sejam pacientes, parentes de pacientes, oftalmologistas especialistas em córnea interessados no tratamento do ceratocone assim como todos os colaboradores, um Feliz Natal e o desejo de um ano de 2019 muito melhor para todos, com mais saúde, mais esperança e melhores condições para nossa saúde pública no Brasil. Espero que todo este trabalho realizado ao longo de vários anos possa colaborar com todos vocês.

Espero continuar a poder servir a ciência, desenvolvendo lentes de contato especiais RGPs e esclerais cada vez melhores, contribuindo para informar com responsabilidade e sempre amparado pela ciência e sempre em apoio a classe oftalmológica, em especial aos especialistas em córnea.


Um abraço fraterno a todos.

Luciano Bastos
Diretor e Instrutor Clínico de LC Especiais
Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos
Diretor e Consultor em LC Especiais
Ultrtalentes I.O.Ltda.