O CXL não é uma técnica simples, mas sim menos invasiva
O CXL não é tão simples como as pessoas pensam. Existem variáveis importantes, desde a calibragem do raio ultravioleta, a profundidade de raspagem do epitélio, o método de raspagem, a quantidade de riboflavina, o tempo de exposição ao raio ultravioleta, a distância segura a ser aplicado, a resposta fisiológica da córnea, a paquimetria (espessura da córnea), a microscopia especular, etc. O procedimento é absolutamente experimental, e as pessoas candidatas a esta técnica estão submentendo-se a experiências e estudos que levarão a um aperfeiçoamento da técnica. No Brasil, estudos feitos na Unifesp, no Instituto da Visão , na UFRJ e no Hospital Oftalmológico de Sorocaba com essa técnica iniciaram recentemente. Há ainda a necessidade de mais tempo para que possam ser completados estudos que trarão novas informações e aprendizado a oftalmologia brasileira assim como os pioneiros que iniciaram estes estudos há cerca de 3 ou mais anos. Estudos ainda são recentes, logo a amostragem de pacientes para avaliação a longo prazo ainda é muito baixa, embora os estudos sejam sem dúvida promissores.
O que nos reserva o futuro no tratamento do ceratocone?
Vejo com bastante reserva a idéia de que em breve oftalmologistas no Brasil e no exterior resolvam fazer as primeiras experiências com a combinação de técnicas de tratamento, por exemplo: implante de anéis intraestromais (intracorneanos), Crosslink e depois PRK (ou Lasik?). Quando mencionei que vejo com reserva essa possível situação, digo apenas por cautela, pois é importante lembrar que a córnea é uma estrutura frágil e que submetê-la a três procedimentos cirúrgicos, mesmo que de diferentes "níveis de invasão", é no mínimo temeroso e discutível, devido ao maior risco que isso pode oferecer ao paciente. Já existe o uso de técnicas combinadas, como mostrarei a seguir, a primeira o CXL com implante de anéis, que vem sendo testado e experimentado já há alguns anos, e o CXL com PRK (Photorefractive Keratotomy por excimer laser). A combinação das três técnicas possivelmente já está sendo utilizada, mas os resultados e dados científicos não existem.
O que a comunidade científica deve honrar e lutar sempre é que os profissionais apresentem não somente os resultados bons, mas também que apresentem os maus resultados ou complicações, desta forma poderá-se evoluir e até mesmo prevenir futuros casos candidatos ao insucesso. É comum alguns médicos apresentarem em congressos seus trabalhos de sucesso, deixando algumas vezes os problemas "engavetados", até mesmo porque ninguém gosta de admitir um mau resultado, e isso é comum, embora não seja o caminho mais saudável a tomar.
A seguir, vídeo falando do CXL com implante de anéis:
http://www.youtube.com/watch?v=lwkyCxCNrGc
E outro falando sobre o CXL e o PRK:
http://www.youtube.com/watch?v=WM6VgkjcHpQ